NOVA ERA FISCAL

Com Reforma Tributária, consumidor verá o imposto que paga na nota fiscal

Transição será gradual até 2032, mas primeiras medidas entram em vigor em 2026 e devem impactar consumo e emissão de notas

Joanna Prata
Publicado em 24/03/2026 às 07:31Atualizado em 24/03/2026 às 16:23
Compartilhar

Uma das mudanças mais visíveis para a população deve ser a forma como os tributos aparecem nas compras (Foto/Divulgação)

A reforma tributária já começou a sair do papel e deve provocar mudanças no dia a dia dos brasileiros nos próximos anos. Embora a transição completa esteja prevista para 2032, as primeiras medidas entram em vigor em 2026, com efeitos mais perceptíveis a partir de 2027, especialmente na forma de cobrança dos tributos, na emissão de notas fiscais e no controle das informações financeiras.

Segundo o contador Manoel Rodrigues Neto, o novo modelo se apoia na criação de dois tributos principais, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que vão substituir cobranças atuais como PIS, Cofins, ICMS e ISS. “A ideia é tributar apenas o valor que cada etapa da cadeia econômica adiciona ao produto”, explica, ao detalhar a lógica do imposto sobre valor agregado.

Uma das mudanças mais visíveis para a população deve ser a forma como os tributos aparecem nas compras. A tendência é de maior transparência na cobrança, com os impostos destacados de maneira mais clara. Na prática, isso pode mudar a percepção sobre os preços, já que o consumidor passará a visualizar com mais nitidez quanto paga em tributos sobre bens e serviços.

A reforma também prevê maior padronização e uso de tecnologia. As notas fiscais devem seguir modelo nacional, enquanto mecanismos automatizados de recolhimento começam a ser incorporados ao sistema. A proposta é tornar o processo mais rastreável, reduzir inconsistências e facilitar a fiscalização pelos órgãos competentes.

Receita aperta controle da movimentação financeira 

Independente da reforma tributária, a Receita Federal está ampliando o controle sobre as movimentações financeiras das pessoas físicas. A Receita Federal tende a intensificar o cruzamento de dados envolvendo transações via Pix e cartões, o que pode levar à identificação de incompatibilidades entre a renda declarada e o padrão de consumo.

O ponto de atenção, segundo o contador, está sobretudo nos rendimentos não formalizados. Mesmo quando há hipótese de isenção, movimentações elevadas podem despertar questionamentos futuros. “Se a renda total for maior do que a declarada, em algum momento isso pode ser identificado, e a cobrança pode vir com multa e juros”, alerta.

A orientação, diante desse cenário, é que o contribuinte redobre o cuidado com a organização financeira e com a coerência das informações prestadas ao Fisco. Embora a implementação da reforma ocorra de forma gradual, a tendência é de um ambiente mais transparente e mais rigoroso no acompanhamento das operações e da renda declarada.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por