Alusão aparece de forma pontual no documento de Alessandro Vieira e não integra conclusões nem pedidos da comissão do Senado
O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado faz menção a indícios de tráfico internacional de pessoas em eventos associados ao Banco Master. A referência aparece de forma pontual no documento elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do colegiado, e não integra o conjunto de conclusões da comissão.
No trecho, o relatório cita indícios relacionados ao recrutamento e ao deslocamento de mulheres estrangeiras para participação em eventos privados, mencionando possíveis irregularidades nas condições de transporte, hospedagem e organização dessas atividades. O documento também faz referência a materiais apreendidos em investigações, como registros e documentos pessoais.
"Há, portanto, indícios de crimes relacionados a tráfico internacional de pessoas e exploração sexual, especialmente considerando as condições de recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas”, lê-se no parecer.
Apesar da menção, o relatório não apresenta provas conclusivas sobre a prática de tráfico de pessoas, nem detalha uma apuração própria da CPI sobre o tema. A referência se baseia em informações já levantadas em reportagens, sem aprofundamento.
O caso não resultou em pedidos de indiciamento relacionados a esse tipo de crime, tampouco integra as principais recomendações do relatório final. O foco central do documento está na atuação do crime organizado no sistema financeiro, especialmente na chamada “convergência criminosa” entre facções e operadores do mercado.
Nesse contexto, Alessandro Vieira pediu o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. Segundo o relator, há indícios de crimes de responsabilidade envolvendo os quatro.
O relatório ainda precisa ser votado pelos integrantes da comissão, em sessão prevista para esta terça-feira (14/4). Se aprovado, o texto será encaminhado às autoridades competentes, que poderão avaliar e eventualmente dar seguimento às medidas sugeridas - sem que haja, no entanto, aplicação automática das propostas.
Fonte: O Tempo.