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Rússia amplia invasão à Ucrânia; segunda onda de mísseis atinge diferentes cidades

Publicado em 24/02/2022 às 06:35Atualizado em 18/12/2022 às 18:19
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O presidente Vladimir Putin autorizou a operação militar de invasão à Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (24). O líder russo pediu à população ucraniana que deponha as armas e volte para casa. Imagens de explosões circulam na internet desde as primeiras horas do dia. Ao amanhecer, a Ucrânia começou a ser atingida por uma segunda onda de mísseis. Segundo o Ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, o país está completamente sendo invadido, inclusive as cidades pacíficas. 

Putin ainda mandou recado para nações que, porventura, queiram interferir no processo bélico russo. “Quem tentar interferir, ou ainda mais, criar ameaças para o nosso país e nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e levará a consequências como nunca antes experimentado na história”, ameaçou.

Pouco após o anúncio oficial de Putin, sons de explosões e artilharia em cidades ucranianas começaram a ser ouvidos. Centros de comando militar em cidades como Kiev e Kharkiv foram atacados com mísseis. O aeroporto da capital foi esvaziado e os voos, suspensos; o local é amplamente disputado por forças opostas no país. Governo ucraniano acredita que soldados russos possam descer de aeronaves para invadir a região de Kiev onde ficam os prédios da administração.

A Ucrânia, no entanto, não parece querer ceder ao apelo russo. "Putin acaba de lançar uma invasão em grande escala da Ucrânia. Cidades pacíficas da Ucrânia estão sob ataque. Esta é uma guerra de agressão. A Ucrânia se defenderá e vencerá. O mundo pode e deve parar Putin. A hora de agir é agora", disse o ministro de Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba. Segundo informações do país, houve confrontos militares em quase toda a extensão da fronteira, sobretudo nas regiões de Sumy, Kharkiv, Kherson, Odessa. No entanto, segundo a agência de notícias russa Interfax, o serviço de segurança federal da Rússia, que é a FSB, teria informado que os guardas de fronteira da Ucrânia abandonaram todos os postos na linha que divide os dois países

Até o momento, ao menos uma pessoa foi morta em bombardeio na Ucrânia, na região da capital Kiev. Há relatos de ação militar em várias cidades ucranianas, sobretudo próximas à fronteira com a Rússia, como Zhytomyr, Chernihiv, Sumy, Kharkiv, Kramatorsk, Mariupol e Luhansk. Esta última é uma das duas repúblicas populares autoproclamadas, com objetivo separatistas, que, inclusive, pediu apoio de Putin para “repelir as agressões crescentes das forças ucranianas”. A outra região separatista é Donetsk.

Para justificar a invasão, Putin afirmou que a Rússia não pode tolerar o que chamou de “ameaças da Ucrânia”. Segundo o presidente russo, “qualquer derramamento de sangue” estará na consciência do governo ucraniano. Putin ainda alertou sua nação para se preparar para alterações na vida cotidiana, prevendo sanções severas por parte de países como Estados Unidos e seus aliados.

A reação norte-americana foi imediata. Comunicado do presidente Joe Biden deixou na conta do presidente Vladimir Putin e da Rússia o saldo de mortes e destruição da guerra entre os dois países, que classificou como “ataque não provocado e injustificado das forças militares russas”. Biden ainda deixou claro que “os Estados Unidos e seus aliados e parceiros responderão de forma unida e decisiva”.

Segundo o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, “é simplesmente impossível isolar um país como a Rússia com uma cortina de ferro”. Ele afirmou que o país consegue sobreviver à volatilidade do mercado e ainda disse que a reação "emocional" do mercado financeiro à invasão russa da Ucrânia vai diminuir.

Embaixada do Brasil em Kiev pede aos brasileiros que fujam da Ucrânia

Iniciado o ataque russo à Ucrânia, a embaixada brasileira em Kiev divulgou nota nesta manhã com novas instruções aos cidadãos brasileiros que vivem no país. No texto, eles orientam que “brasileiros que possam deslocar-se por meios próprios para outros países ao oeste da Ucrânia o façam tão logo possível, após informarem-se sobre a situação de segurança local”.

Para quem está em Kiev, a recomendação é seguir as diretrizes das autoridades ucranianas. O recado principal é não sair de casa, em razão dos grandes engarrafamentos nas estradas registrados nas últimas horas. Já para aqueles indivíduos que estão na porção leste da Ucrânia e não podem viajar por meios próprios ou com segurança, a orientação é ir até Kiev e contatar a embaixada brasileira assim que possível no telefone +380 50 384 5484.

"Solicita-se que o número seja utilizado apenas em caso de necessidade extrema. Orientações à comunidade continuarão a ser transmitidas por Telegram e Facebook", pede a representação brasileira. 

Discussão na ONU

A decisão de Putin gerou repercussão imediata na ONU, cujo Conselho de Segurança se encontrava reunido no momento da invasão. O enviado da Rússia à ONU, Vasily Nebenzya, defendeu seu país, dizendo que Moscou não está sendo agressiva contra o povo ucraniano, mas contra a "junta" que ocupa o poder em Kiev. "Não há purgatório para criminosos de guerra, eles vão diretamente para o inferno", disse o embaixador ucraniano na ONU, Sergiy Kyslytsya, à Nebenzya.

O enviado da França condenou a Rússia por "escolher a guerra" e disse que o país deve ser responsabilizado no Conselho de Segurança. O enviado britânico classificou as ações russas de "sem motivos" e "injustificadas". O enviado alemão instou a Rússia a interromper a ação imediatamente. "No exato mesmo momento em que estamos buscando paz, Putin enviou uma mensagem de guerra", disse o enviado americano.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também se manifestou. "Esse é o momento mais triste do meu mandato", afirmou. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, condenou fortemente o "ataque imprudente" da Rússia, afirmando que ele coloca em risco incontáveis vidas civis. Ele também prometeu que a aliança fará o que for necessário para proteger e defender todos os aliados.

Sanções

Na comunidade internacional, a União Europeia anunciou sanções contra o ministro da Defesa e os chefes militares russos, o chefe de gabinete do Kremlin, o ministro do Desenvolvimento Econômico e a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. As sanções publicadas no Diário Oficial da UE consistem no congelamento de bens e na proibição de vistos contra os afetados.

Por sua vez, Biden anunciou na quarta-feira sanções contra a empresa encarregada de operar o gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha. A medida foi anunciada após Berlim suspender o controverso gasoduto, um dia antes. No dia anterior, os EUA já haviam tornado públicas as medidas contra os bancos e oligarcas russos, denunciando o "início de uma invasão russa" na Ucrânia. A Rússia prometeu uma resposta "forte" e "dolorosa" às sanções americanas.

Refugiados

Kiev vem há oito anos lutando contra os separatistas no leste do país, um conflito que já deixou mais de 14 mil mortos. Muitos temem que a crise possa culminar no pior conflito na Europa desde 1945, quando terminou a 2ª Guerra. A ofensiva russa pode desencadear uma nova crise de refugiados com até 5 milhões de pessoas deslocadas, alertou a embaixadora americana na ONU em Nova York.

*Matéria em atualização

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