Jairo Chagas
Ana Lúcia Bóscolo reforça que a boa avaliação médica resolve o problema da forma correta, sem intervenções desnecessárias
Roncar não é apenas uma situação embaraçosa e incômoda. É uma doença, que se não tratada corretamente pode evoluir e oferecer inúmeros riscos à saúde. “Ronco é a vibração dos tecidos moles em áreas estreitas da faringe, já a apneia é a cessação do fluxo aéreo nasal ou bucal por pelo menos dez segundos”, define a médica otorrinolaringologista Ana Lúcia Bóscolo.
São diversas as causas de ronco e apneia, como diminuição dos tônus (elasticidade e resistência) das vias aéreas superiores por hipotireoidismo ou por desvio de septo. A especialista diz que há casos decorrentes de paralisias centrais, uso de drogas ilícitas e lícitas, como o álcool e o fumo, sedativos, anti-histamínicos ou antieméticos.
Para o diagnóstico, um otorrinolaringologista realiza o exame clínico e a polissonografia. Ana Lúcia afirma que o tratamento depende da causa. Por isso, há casos bem específicos que só podem ser resolvidos com cirurgias ou procedimentos cirúrgicos ortodônticos. “Depende da causa. Alguns pacientes só precisam emagrecer. Em outros, o uso do aparelho de pressão positiva contínua na via aérea é suficiente, evitando o colapso da faringe e oferecendo ótimos resultados”, avalia.
Por existirem tantas possibilidades, Ana Lúcia reforça a importância de uma boa avaliação médica para resolver o problema da forma correta, sem intervenções desnecessárias. “A apneia tem que ser resolvida porque as complicações decorrentes de sono agitado, insônia, sonolência diurna, diminuição da cognição, da concentração, amnésia, enurese (emissão involuntária de urina) e do aumento da pressão arterial podem colocar em risco a vida do paciente”, encerra.