Aumento de quedas do idoso, perda ou ganho de peso, diminuição nas atividades sociais e desorganização, entre outros podem ser sinais de risco
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Aumento de quedas do idoso, perda ou ganho de peso, diminuição nas atividades sociais e desorganização, entre outros podem ser sinais de risco
O processo de envelhecimento demonstra limitações físicas, alterações mentais e psicossociais que podem influenciar, muitas vezes, no relacionamento do idoso com sua família e cuidadores. Alguns sinais no comportamento do idoso e nos ambientes que ele frequenta, principalmente em casa, podem ajudar as famílias a identificarem que está na hora de repensar o local e as pessoas que cuidam desse idoso.
De acordo com a enfermeira Larissa Carvalho Silva, que atende idosos em um hotel geriátrico da cidade, um dos primeiros sinais que demonstram a necessidade de maior cuidado com o idoso é quando ele apresenta dificuldades de gerenciar suas atividades de vida diária, como se vestir, tomar banho sozinho, se alimentar, cozinhar. “É muito comum o idoso que está iniciando algum tipo de demência apresentar confusão, déficit de memória, desorientação de tempo e espaço. Há, também, pessoas que, devido à idade avançada, não têm mais firmeza para ficar em pé no banho, por exemplo. Esses são alguns indícios que demonstram a fragilidade do idoso e o risco que ele pode correr por estar sozinho, seja esquecendo-se de se alimentar ou, talvez, ingerindo uma medicação de alta dose mais de uma vez”, destaca.
A enfermeira aponta outros sinais que evidenciam o risco de um idoso permanecer sozinho e sem a atenção de outro adulto. Segundo ela, se a família notar o aumento de quedas do idoso, mudanças físicas como perda ou ganho de peso, diminuição nas atividades sociais, desorganização, presença de produtos perecíveis que já venceram há bastante tempo, ou até mesmo sinais de pequenos incêndios, é hora de a família reavaliar a estadia desacompanhada desse idoso.
Para a gerontóloga Elizabeth Carvalho dos Santos Freitas, é preciso ter consciência de que a velhice é uma etapa da vida caracterizada por inseguranças, medos e alterações das necessidades básicas, pertinentes ao envelhecimento. “As famílias se sentem emocionalmente abaladas quando percebem que seu ente querido não possui mais condições de tomar conta de si. Elas se sentem culpadas em transferi-lo para uma entidade que cuida de idosos. Entretanto, é necessário que se faça uma reflexão sobre o que é melhor para a segurança e a saúde daquele ente querido, caso a família não tenha condições adequadas, estrutura, tratamento pessoal com esse idoso, em suas atividades diárias, como higiene, alimentação etc.”, ressalta.
Segundo a especialista, institucionalizar o idoso não é e não deveria ser considerado abandono. “Quando a família opta por colocar um familiar em uma instituição de longa permanência para idosos, o objetivo é oferecer um tratamento adequado às suas necessidades. Muitos familiares chegam aqui extremamente exaustos, com sentimento de culpa, pois não conseguem ou não podem oferecer o cuidado necessário. Eles têm vontade de oferecer o melhor para o idoso, mas nem sempre é possível”, diz.
Elizabeth explica, ainda, que, ao institucionalizar um idoso, a família tem maior garantia de que a saúde dele será bem cuidada, com alimentação adequada e acompanhamento de uma equipe multiprofissional.