Diretor Marcos Mariano, descarta crise no setor, acreditando que haverá acordo com o sindicato
Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro/Minas Gerais) rejeitou a negativa das escolas particulares em aumentar os salários dos professores. Na avaliação do Sinpro, as mensalidades escolares aumentaram entre 12% e 15% no período de 2015/2016. O índice é acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado de 2015, de 11,27%, segundo dados do sindicato. Contudo, o aumento não aconteceu nos salários dos educadores.
Mas o diretor regional Marcos Mariano não acredita em crise no ensino particular. “É a velha luta em que os trabalhadores têm a sua mais importante ferramenta de ganhar o pã o trabalho. Os donos das escolas muitas vezes desrespeitam isso no que tange à valorização do professor. Todos compreendem, inclusive os patrões, que o coração da escola é o professor, mas, infelizmente, não conseguem reconhecer quando é do ponto de vista econômico”, lamentou.
De acordo com Marcos, as classes estão em negociação desde novembro e já há uma assembleia marcada com os professores para o dia 19 de março (sábado), na sede do Sinpro, a partir das 09h. “Nós fizemos um levantamento no setor da educação básica e a gente conferiu um crescimento de 8,7% no número de matriculados no setor privado de educação só nesse ano de 2016. Além do reajuste das mensalidades, portanto, não justifica o sindicato das escolas particulares recusar dar um aumento real para os professores”, pontua o sindicalista.
Pauta. Entre as reivindicações classicistas estão o aumento real de 3% e o reajuste extraclasse de 20% para 33%. “Não dá para gente ter professores do Triângulo Mineiro, uma das regiões mais ricas de Minas Gerais, com um piso salarial inferior às demais regiões, como o Vale do Jequitinhonha. Não dá para imaginar que uma professora da educação infantil aqui ganhe 30% a menos do que uma da capital ou da região sul do Estado. Estamos pautando a isonomia da educação infantil e básica”, salienta.
Se patrões e empregados não entrarem em acordo, Marcos Mariano explica que os professores podem sim deflagrar uma greve. “Nós não estamos dizendo que vamos optar pela greve. Primeiro, vamos esgotar as possibilidades de negociação. Vamos buscar formas de manifestar publicamente essa nossa pauta e, em último caso, se a categoria decidir coletivamente e se necessário for, nós vamos chamar para essa última ferramenta que o trabalhador tem, que é a greve”, finaliza.