Dores de cólicas menstruais progressivas, que aumentam de intensidade com o passar do tempo, podem ser seu corpo dando sinais de endometriose, que atinge 7 milhões de mulheres
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Paula Árabe Lenza, ginecologista-obstetra, analisa quais são os principais sintomas e riscos para a saúde feminina
Dores de cólicas menstruais progressivas, que aumentam de intensidade com o passar do tempo, podem ser seu corpo dando sinais de uma doença que atinge quase sete milhões de brasileiras: a endometriose. Os dados são da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
A ginecologista-obstetra Paula Árabe Lenza explica que a doença é “caracterizada pela presença de tecido endometrial – camada que reveste o interior do útero –, fora da cavidade uterina”, esclarece. De acordo com Paula, os sintomas são diversos e dependem da localização/invasão da doença. “Há desde mulheres assintomáticas até aquelas com dor pélvica incapacitante, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação e dificuldade para engravidar”, destaca.
Lenza analisa que a endometriose pode acometer mulheres a partir da primeira menstruação e se estender até a última. A hereditariedade é um fator de risco que deve ser considerado. “Mulheres com parentes de 1º grau com histórico de endometriose correm sete vezes mais risco de desenvolver a doença, se comparadas com a população em geral”, afirma.
A ginecologista-obstetra pondera que muitas mulheres têm dúvidas sobre a doença. “Não sabemos identificar os sintomas, o que leva a um atraso no diagnóstico, que costuma ser aos 30 anos. A média entre o início dos sintomas e o diagnóstico da doença gira em torno de sete anos”, explica.
Endometriose aumenta em 76% as chances de aborto espontâneo, diz estudo
Um estudo escocês de 2015 apontou que a endometriose aumenta em 76% as chances de um aborto espontâneo, além de triplicar a probabilidade de uma gestação fora do útero. Outro ponto mostrado no estudo é que 50% das mulheres diagnosticadas com endometriose podem se tornar inférteis.
“Na gestante, a doença tende a regredir”, afirma a especialista. “A gravidez pode ser indicada para as mulheres que apresentam endometriose leve, uma vez que o tecido endometrial diminui devido à falta do estrogênio (hormônio) na corrente sanguínea nesse período”, analisa a especialista.
A formação de aderências em órgãos abdominais facilita as complicações no comprometimento de órgãos, como ovários, útero, bexiga e intestinos, segundo Lenza. “É possível preveni-la com exercícios físicos, alimentação balanceada e redução do estresse”, salienta. Por fim, a dica da especialista é que a mulher deve consultar regularmente o ginecologista para manter a saúde em dia.