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Soro da Funed falha em teste com hamsters; pode ser o fim do estudo

Publicado em 30/01/2022 às 15:27Atualizado em 19/12/2022 às 00:19
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O soro contra a Covid-19 da Fundação Ezequiel Dias (Funed), aposta do governo de Minas Gerais para o combate à pandemia, passa longe de ser, no momento, uma opção concreta de tratamento. O primeiro lote do composto com 5 mil ampolas, cuja finalidade eram os testes em humanos, chegou a ter entrega prevista para janeiro de 2021. Um ano depois, o produto experimental não demonstrou eficácia contra a doença em experimentos com hamsters infectados e pode não sair do laboratório.

O soro, diferentemente da vacina, não atua na prevenção de doenças, e sim no tratamento de pessoas já doentes, em ambiente hospitalar. A substância é produzida a partir da inoculação do vírus inativado em cavalos, que reagem produzindo anticorpos potentes. Uma vez injetados nos doentes, eles ajudam a amenizar sintomas e a evitar quadros graves.

As pesquisas da Funed começaram em novembro de 2020, pouco mais de um mês depois que o Instituto Butantan iniciou o desenvolvimento de seu soro, atualmente testado em pacientes do Hospital do Rim e do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, ambos na capital paulista.

Na ocasião, a instituição mineira anunciou a imunização dos equinos da Fazenda Experimental São Judas Tadeu com o vírus inativado da Covid-19. Segundo o coordenador do estudo, Sérgio Caldas, em dezembro de 2020, os cientistas coletaram o plasma dos animais e separaram os anticorpos, que mostraram boa capacidade de neutralização do Sars-Cov-2 nos ensaios in vitro, ou seja, em placas com células infectadas.

Vencida esta etapa, os pesquisadores esperavam produzir os lotes de soro para testes em humanos, mas foram surpreendidos por uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com o coordenador, a Anvisa determinou que a Funed testasse a eficácia do composto em hamsters experimentalmente infectados, uma vez que o soro é uma terapia nova. As amostras foram, então, encaminhadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para os ensaios com roedores, mas os resultados decepcionaram.

"Os ensaios in vivo, em hamsters, não apresentaram os resultados esperados, não sendo observada proteção significativa contra a infecção viral comparado aos animais não tratados”, explica o estudioso.

Ao ser questionada sobre o futuro dos estudos do soro mineiro, a Funed diz que o grupo, neste momento, se debruça sobre os dados obtidos e analisa a viabilidade de realização de novos experimentos. A fundação não descarta a hipótese de encerramento do projeto, mas ressalta que a consolidação do conhecimento gerado nos últimos meses também traz benefícios à comunidade científica e à população em geral.

*Com informações do jornal Estado de Minas

 

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