Surto já infectou 6.186 pessoas, com taxa de letalidade de 48,6%; vírus se espalhou por seis províncias em meio a conflitos e presença limitada do Estado
A epidemia de ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) já provocou 3.007 mortes e infectou 6.186 pessoas, segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades congolesas nesta quarta-feira (2). Com os números, o atual surto supera em número de mortes a epidemia anterior mais grave registrada no país e se tornou a mais letal da história da RDC.
Do total de pessoas infectadas, cerca de 1.409 se recuperaram. A taxa de letalidade do surto está em 48,6%.
A epidemia foi oficialmente declarada em maio e começou na província de Ituri, no nordeste do país. Desde então, o vírus se espalhou por seis províncias, incluindo áreas marcadas por conflitos armados e pela presença limitada do Estado, o que dificulta as ações de controle e atendimento à população.
O surto é provocado pela cepa Bundibugyo, uma variante do vírus para a qual, atualmente, não existem vacinas nem tratamentos homologados.
Até então, o surto mais letal já registrado na República Democrática do Congo havia ocorrido entre 2018 e 2020, quando aproximadamente 2.300 pessoas morreram entre os cerca de 3.500 casos registrados.
A atual epidemia também ocorre em um contexto de maior dificuldade para a atuação das autoridades de saúde, principalmente nas regiões afetadas por grupos armados e conflitos.
O ebola é uma doença viral grave, transmitida principalmente pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas. A infecção pode provocar febre intensa e, em casos graves, hemorragias e falência de órgãos.
Atualmente, vacinas e tratamentos contra a cepa Bundibugyo estão em diferentes fases de pesquisa e testes. As vacinas já homologadas contra o ebola são eficazes contra o vírus do Zaire, responsável por algumas das maiores epidemias da doença já registradas, mas não foram aprovadas para a variante responsável pelo atual surto na RDC.
O ebola já provocou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos, de acordo com dados citados pelas autoridades de saúde.