GERAL

Tentativa de controlar Aedes pode ter criado "supermosquito" transgênico

Artigo científico faz alerta sobre inseto modificado e liberado em testes em cinco cidades do país

Publicado em 24/09/2019 às 10:05Atualizado em 18/12/2022 às 00:29
Compartilhar

Publicação na revista especializada “Scientific Reports”, do grupo Nature Research, gera polêmica no meio científico. Artigo cogita a possibilidade de o cruzamento entre diferentes espécies do mosquito Aedes aegypti na tentativa de controlar a transmissão de dengue, febre amarela, zika e chikungunya pode ter criado um “supermosquito”.

Estudo feito pela empresa britânica Oxitec entre junho de 2013 e setembro de 2015 liberou cerca de 450 mil animais machos geneticamente modificados (OX513A), por semana, na cidade de Jacobina, na Bahia. Na época, o parecer técnico com a autorização foi emitido pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Os animais modificados com tecnologia desenvolvida em 2002 no Reino Unido e foram projetados para que a primeira geração de mosquitos não alcançasse a fase adulta e não pudesse se reproduzir. O experimento na Bahia tinha expectativa de reduzir a população de mosquitos selvagens em 85% – que funcionou durante o teste de campo. Contudo, a população de mosquitos voltou a crescer 18 meses após o fim do experimento, segundo o estudo da “Scientific Reports”. Aparentemente, as alterações genéticas de mosquitos transgênicos foram transferidas para a população selvagem de insetos. Conforme o artigo, os testes em Jacobina podem ter criado uma geração de mosquitos mais resistentes.

O estudo mostrou que, mesmo em bairros onde não houve liberação do Aedes modificado, foram encontrados animais com genomas mistos. “Além disso, a introgressão (transmissão de genes entre espécies) pode introduzir outros genes relevantes, como a resistência a inseticidas (...). Os resultados demonstram a importância de se ter um programa de monitoramento genético durante a liberação de organismos transgênicos para detectar consequências imprevistas”, diz o artigo.

Mosquitos modificados foram testados também em outros quatro municípios brasileiros: Juazeiro, na Bahia; Piracicaba e Indaiatuba, em São Paulo, e Juiz de Fora, em Minas Gerais.

A empresa britânica Oxitec, diz que as informações publicadas na resvista são falsas. Em nota a empresa também desmentiu informações do artigo publicado pela Scientif Reports, de que a proposta do estudo seria de controle populacional dos insetos. "A pesquisa não produziu nenhum efeito colateral negativo, ao contrário do que sugerem informações equivocadas, divulgadas na imprensa".

Ainda na nota, a empresa segue dizendo que  dias após a divulgação do artigo, o grupo editorial  da Scientific Reports emitiram um alerta “sinalizando que as conclusões estão sob revisão. Isso foi feito à luz das preocupações levantadas sobre integridade científica, da não divulgação de potenciais conflitos de interesse e de declarações prejudiciais e enganosas contrárias às evidências

*Com informações do jornal O Tempo

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por