Dados divulgados em 2010 pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal, do Ministério da Saúde, revelam que no Brasil nascem por ano cerca de 3.500 crianças com anemia falciforme
Foto/Arquivo
O hematologista Paulo Roberto Juliano Martins explica que o portador de doença falciforme deve receber atendimento multidisciplinar
No dia 27 de outubro foi celebrado no Brasil o Dia Nacional de Luta pelos Direitos das Pessoas com Doenças Falciformes. Trata-se de um dos problemas hereditários mais comuns no Brasil, com maior prevalência na população afrodescendente.
Os principais sintomas da doença são crises de dor muscular em braços, pernas, articulações, tórax, abdômen e costas; icterícia; infecções, como pneumonia; anemia crônica; síndrome “mão-pé”, que é caracterizada por inchaço e dor nos ossos das mãos e dos pés, e acúmulo de sangue no baço.
Dados divulgados em 2010 pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal, do Ministério da Saúde, revelam que no Brasil nascem por ano cerca de 3.500 crianças com anemia falciforme. Os estados com maior número de casos são Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
De acordo com o hematologista Paulo Roberto Juliano Martins, a anemia falciforme é congênita. “O glóbulo vermelho tem uma função muito importante no organismo, que é levar oxigênio para os tecidos. A doença é caracterizada pela diminuição da vida do glóbulo vermelho, que, em uma pessoa sem a doença, dura em torno de 120 dias. Já quem é portador de falciforme dura de 20 a 30 dias. As hemácias são destruídas precocemente e, com isso, é liberada a hemoglobina, responsável por transportador o oxigênio e o CO² que fazem o corpo funcionar, ou seja, uma função importantíssima”, explica o especialista.
Ainda segundo o hematologista, as manifestações da doença começam desde a primeira infância e uma delas é confundida com reumatismo. O primeiro caso de doença falciforme foi descoberto em 1910 e hoje o tratamento e o diagnóstico evoluíram muito, considerando os cuidados gerais. “O paciente que tem doença falciforme não é acompanhado só pelo hematologista, mas também pelo assistente social, psicólogo e infectologista, porque é um caso complexo e precisa de atendimento multidisciplinar”, finaliza o médico.
O teste do pezinho é oferecido desde 1992 pela Fundação Hemominas e pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e é através desse exame que é feito o diagnóstico precoce da doença. Os indivíduos com resultado positivo são rastreados e chamados a irem ao Hemocentro, onde recebem orientações e o tratamento necessário para ter melhor qualidade de vida.