VACINA CONTRA HPV

Vacina contra HPV reduz infecções e protege até quem não foi vacinado

Maior estudo da América Latina sobre o imunizante aponta queda de 81% nos tipos de HPV cobertos pela vacina entre mulheres vacinadas

Publicado em 22/07/2026 às 09:37
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A vacina contra o HPV tem provocado um impacto maior do que apenas proteger quem recebe o imunizante. Um estudo brasileiro apontou que a vacinação também reduziu a circulação do vírus na população, gerando um efeito de proteção coletiva até mesmo entre pessoas que não foram vacinadas.

Considerado o maior levantamento já realizado sobre os efeitos populacionais da vacina contra o HPV na América Latina, o estudo foi desenvolvido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde. A pesquisa analisou dados de mais de 16 mil brasileiros entre 16 e 25 anos, coletados entre 2016 e 2017 e entre 2020 e 2023.

Entre as mulheres vacinadas, a presença dos tipos de HPV protegidos pelo imunizante caiu 81%, passando de 15,6% para 3,1%. O estudo também identificou uma redução de 33% na circulação desses mesmos tipos de vírus entre mulheres que nunca receberam a vacina.

Segundo os pesquisadores, o resultado mostra o chamado efeito de proteção coletiva. Com menos pessoas infectadas, a circulação do vírus diminui e, consequentemente, o risco de novas infecções também é reduzido.

Vacina de dose única mantém proteção

Outro destaque da pesquisa foi a confirmação de que uma única dose da vacina apresenta proteção semelhante aos esquemas anteriores de duas ou três aplicações.

O resultado reforça a mudança adotada pelo Ministério da Saúde em 2024, quando o Brasil passou a recomendar a dose única para o público indicado.

A proteção, porém, continua seguindo regras específicas para alguns grupos. Pessoas com HIV, imunossuprimidas ou que já tiveram lesões de alto grau ou câncer de colo do útero permanecem com indicação de três doses.

Cobertura entre meninos ainda é desafio

Apesar dos avanços entre as meninas, o estudo apontou uma diferença importante na vacinação entre os sexos. Enquanto a cobertura entre mulheres participantes chegou a 61,8%, entre os homens ficou em 31,1%.

Os especialistas alertam que a vacina contra o HPV também é fundamental para proteger os meninos, já que o vírus está relacionado a outros tipos de câncer, como os de cabeça e pescoço, além de lesões que podem afetar a saúde masculina.

Vacina ajuda na prevenção do câncer

O HPV está associado principalmente ao câncer do colo do útero, mas também pode estar relacionado a tumores em outras regiões do corpo.

Embora o estudo tenha avaliado a redução das infecções pelo vírus, e não diretamente a queda nos casos de câncer, os pesquisadores destacam que a prevenção da infecção é uma etapa essencial para reduzir futuramente a ocorrência desses tumores.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta ampliar a cobertura vacinal contra o HPV para 90% entre meninas até 14 anos até 2030. No Brasil, o desafio é garantir que todos os estados alcancem níveis elevados de vacinação.

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