Vírus é responsável por quase 100% dos casos de tumor uterino, doença que todo ano atinge mais de 16 mil mulheres no Brasil, levando cinco mil a óbito
Foto/Neto Talmeli
Flávia Nunes reforça que toda mulher deve realizar anualmente o exame Papanicolau para detectar lesões pré-cancerígenas e tratar precocemente
No mês em que o foco é exclusivo à saúde da mulher, nada melhor do que falar sobre o vírus HPV. Em 80% dos casos do câncer de colo do útero existe relação com o vírus papiloma humano, conhecido como HPV, mal que atinge 685,4 mil pessoas no país, segundo dados da Incidência de Infecção por vírus do HPV no Brasil, do Ministério da Saúde.
Cada tipo de HPV pode causar verrugas em diferentes partes do corpo, conforme explica a enfermeira de uma clínica de vacinação na cidade Flávia Cristina Nunes. “O HPV é responsável por quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, doença que todo ano, no Brasil, atinge mais de 16 mil mulheres, levando cinco mil a óbito”, afirma. Por isso, Flávia explica que qualquer pessoa que tenha uma vida sexual ativa está susceptível ao contato com algum dos tipos de HPV. “Sexo sem proteção, múltiplos parceiros, não realizar exames de rotina e a imunodepressão aumentam os riscos”, explica a enfermeira.
O exame de Papanicolau e a vacinação são ótimas armas de prevenção da doença, segundo Flávia. “Toda mulher deve realizar anualmente o exame preventivo do Papanicolau, pois através dele é possível detectar lesões pré-cancerígenas e, consequentemente, realizar o tratamento precoce. Outra ação importante é a vacinação contra o vírus para todas as mulheres a partir dos nove anos de idade”, salienta Flávia. Ela lembra que existem dois tipos de vacinas: a bivalente e a quadrivalente.
Sobre qual é mais eficaz, Flávia destaca que a bivalente protege exclusivamente contra o câncer do colo do útero, sendo aplicada apenas em mulheres a partir dos 9 anos sem limite de idade. “Já a HPV quadrivalente protege contra o câncer do colo do útero, câncer de pênis, câncer de orofaringe, câncer de vulva, câncer de vagina e contra as verrugas genitais. A vacina é indicada para mulheres dos 9 aos 45 anos de idade e para homens dos 9 aos 26 anos de idade”, reforça, dizendo que ambas são seguras.
Vida sexual ativa versus vacinação. Ao contrário do que se pensa, o início da vida sexual não interfere na eficácia da vacina, segundo Flávia. A enfermeira explica que, mesmo que a pessoa tenha entrado em contato com os tipos contemplados nas vacinas, a imunização vai evitar a reincidência da doença.
Duas ou três doses? De acordo com Flávia Cristina Nunes, são necessárias três doses da vacina para garantir a eficácia dela. “O esquema de três doses é o ideal para obter a proteção duradoura. Na rede pública, são contempladas apenas duas doses; sendo assim, é recomendado realizar a terceira dose em uma clínica de vacinação privada, garantindo a proteção duradoura”, orienta.