Crescimento da variante Delta em Minas Gerais traz nova roupagem a uma preocupação que, infelizmente, não é novidade: os números em alta da pandemia. Durante entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (26), o secretário de Estado de Saúde afirmou que dentre os óbitos registrados em Minas, 70% são relativos a pessoas com mais de 60 anos.
“A Gama sempre foi prevalecente, agora, a variante predominante é a Delta. Dentro das 200 amostras semanais usadas para estudo genético, a incidência da variante Delta vem crescendo. Hoje, dentro destas amostras, a maior parte delas é Delta”, explica.
Este estudo é o único capaz de identificar a positivação da cepa, de acordo com o titular da Saúde de Minas. Porém, é um estudo complexo e realizado somente por um laboratório no Estado, o da Funed, que, atualmente, contabiliza 101 casos da variante em que, parte dos casos, são classificados como ‘prováveis’. No entanto, Baccheretti enfatiza que estes casos já podem ser considerados positivos para a nova cepa. Além disso, como se trata de um processo moroso para a identificação da variante, a previsão é que a Delta esteja mais difundida do que isso. E vai piorar. “A tendência é que nas próximas semanas a Delta aumente ainda”, diz Baccheretti.
O secretário afirma que parte destas amostras é filtrada em pacientes que têm reincidência da doença. Portanto, o risco de ser uma nova cepa é maior, o que enfatiza a necessidade de reforço na imunização contra o vírus com a comprovação de uma perda na eficácia das doses. “O que vale lembrar: variante Delta, variante Gama, variante Alfa, que são as variantes que circulam no Brasil, exigem o mesmo cuidado. Uso de máscara, distanciamento social, higiene das mãos e vacinação. Não há diferença das condutas de cada indivíduo do estado ou do poder público que não seja fomentar esses cuidados e a vacinação com duas doses”, completou.
Adolescentes e terceiras doses
Após a inclusão oficial de adolescentes e da terceira dose em idosos na campanha de vacinação, a partir da segunda quinzena de setembro pelo governo federal, Fábio Baccheretti afirma que o Estado já apurou com os municípios a quantidade de adolescentes com comorbidades. Isso porque eles serão prioridade no recebimento de doses, assim como aconteceu com a população adulta. Além disso, todos serão vacinados com doses da Pfizer, a única marca que é verificada para aplicação em menores de 18 anos pela Anvisa.
Vale a ressalva de que os municípios podem antecipar esta data de acordo com a capacidade de imunização. Serão, primeiramente, abordado os idosos acima de 80 anos e que devem se imunizar com uma marca de vacina diferente da marca aplicada na primeira e segunda doses. "O que já se sabe de acordo com os estudos é que a dose de reforço deve ser aplicada por uma plataforma diferente. Então, quem tomou CoronaVac, seu reforço deve ser da Pfizer, AstraZeneca ou Janssen", afirma Baccheretti.
A expectativa da pasta é que a aplicação de reforço dos idosos evolua rapidamente, começando, também, com doses da Pfizer, que é a marca com mais doses previstas para entrega no país e também porque é a vacina mais disponível no momento.