
(Foto/Reprodução CNN Brasil)
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e a Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo realizaram, na sexta-feira (23), uma inspeção no Hospital e Maternidade Salvalus, na Mooca, zona leste da capital paulista. A ação busca apurar as circunstâncias relacionadas a 35 mortes de bebês registradas na unidade, administrada pela Hapvida, do grupo NotreDame Intermédica.
Durante a vistoria, as equipes avaliaram as condições de funcionamento das unidades neonatal e pediátrica, os procedimentos de higienização e prevenção de infecções e o acompanhamento dos indicadores assistenciais. Também foram coletadas informações sobre possíveis mudanças no perfil dos atendimentos, principalmente entre bebês que necessitavam de cuidados médicos de alta complexidade.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, os documentos reunidos durante a inspeção estão em análise para determinar eventuais medidas administrativas.
Polícia investiga seis mortes
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou, na quarta-feira (21), que a Polícia Civil apura seis mortes de bebês ocorridas no hospital ao longo de 2026. O caso está sob investigação do 8º Distrito Policial, no Brás.
Os investigadores convocaram testemunhas e profissionais de saúde da unidade e analisam prontuários médicos para esclarecer as circunstâncias e as causas dos óbitos.
Segundo a assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que acompanha as famílias por meio de um escritório de advocacia, outros responsáveis procuraram orientação após a divulgação dos casos. A maior parte dos relatos recebidos se refere a ocorrências registradas neste ano.
Familiares relatam possíveis falhas no acompanhamento médico, demora no atendimento de intercorrências e problemas relacionados à higiene. As queixas ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.
O que diz o hospital
Em nota, a Hapvida afirmou que está à disposição das autoridades e destacou que o hospital recebe pacientes com quadros de alta complexidade, incluindo prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e doenças infecciosas.
A empresa ressaltou que não é possível atribuir as ocorrências a uma causa única sem comprovação técnica. Também informou que mais de mil crianças foram atendidas na unidade neste ano e que os casos analisados apresentam históricos clínicos distintos, sem identificação, até o momento, de uma origem infecciosa comum entre as situações examinadas.