MÊS DA MULHER

Violência psicológica pode ser o primeiro passo de um relacionamento abusivo

Presidente da OAB Mulher detalha sinais iniciais, explica por que muitas vítimas têm dificuldade de romper e reforça os canais de denúncia e acolhimento

Débora Meira
Publicado em 18/03/2026 às 10:25Atualizado em 18/03/2026 às 10:29
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Advogada alerta sobre sinais de relacionamentos abusivos e reforça a importância da denúncia (Foto/Divulgação)

Advogada alerta sobre sinais de relacionamentos abusivos e reforça a importância da denúncia (Foto/Divulgação)

A violência doméstica nem sempre começa com agressão física. Em entrevista ao programa Pingo do J, a advogada Berta Fonseca, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Mulher, explica como identificar os primeiros sinais de um relacionamento abusivo e quais medidas podem ser adotadas para garantir proteção e segurança. 

Segundo Berta Fonseca, relacionamentos abusivos muitas vezes se iniciam com violência psicológica, por meio de críticas sobre roupas, aparência ou comportamento. “O abuso começa devagar. Pequenas atitudes vão minando a autoestima da mulher, e é preciso perceber quando isso ultrapassa o companheirismo saudável”, alerta. 

A especialista explica que, com o tempo, podem surgir outros tipos de violência: patrimonial, sexual, moral e, posteriormente, física. “Muitas pessoas se perguntam por que a mulher não sai. É porque ela já foi vulnerabilizada. A autoestima foi destruída e, muitas vezes, ela não acredita que pode se reerguer e retomar a vida”, destaca. 

Dados trazidos pela advogada Natália Salge também ao Pingo do J reforçam a gravidade do cenário no Brasil. “Em 2025, foram registrados 1.518 casos de violência doméstica, com uma média de quatro mortes por dia. Segundo ela, 63% das vítimas são mulheres negras, 70% têm entre 18 e 44 anos, e 97% dos crimes são cometidos por homens. A maior parte das ocorrências acontece dentro de residências (64%), e cerca de 80% das agressões são praticadas por parceiros ou ex-parceiros. No caso da violência sexual, foram registrados 71.892 estupros no país, com uma média de 196 casos por dia”, destaca. 

Berta reforça que o primeiro passo é denunciar. “Em Uberaba, a mulher tem duas portas de entrada: a Polícia Militar ou a Polícia Civil. Ao denunciar, ela já pode solicitar medidas protetivas e receber apoio jurídico e social”, explica. 

A presidente lembra que mesmo mulheres sem recursos financeiros não ficam desamparadas. “O Núcleo da Defensoria Pública das Mulheres oferece acolhimento, orientação sobre medidas protetivas, divórcio, dissolução de união estável, partilha de bens e pensão alimentícia. A vítima não perde direitos; pelo contrário, conquista proteção e apoio para reconstruir sua vida”, afirma. 

Além da assistência legal, a rede de apoio também oferece acompanhamento psicológico, capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho, garantindo autonomia e segurança para mulheres e filhos.

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