Ele acidentou-se em 1974, em São Caetano do Sul e apesar de ter feito cirurgia na coluna não conseguiu a recuperação física total
Walterson Fernandes é outro que teve que encarar grandes obstáculos impostos pela paraplegia e hoje mostra que os limites físicos podem ser superados. Ele acidentou-se em 1974, em São Caetano do Sul (SP), e apesar de ter feito cirurgia na coluna e fisioterapia de três meses e meio no hospital, além de um ano e quatro meses naquele que era o maior centro de reabilitação do país na época, também não conseguiu a recuperação física total. “Trabalhava no Centro de Reabilitação física do Sesi e fiz parte importante de meu tratamento lá. Porém, não foi possível voltar a andar”, explica o ex-motorista que justamente no dia de seu acidente de trânsito não estava dirigindo o veículo. “Viajava no banco de trás porque estava com muito sono. Quem guiava era meu primo, mas ele não podia conduzir o carro, já que estava fazendo tratamento psiquiátrico. Ele estava na primeira pista da direita da rodovia quando começou a zigue-zaguear. Eram seis pistas de ida e mais seis de volta e ele foi parar na 12ª, a última da esquerda, na contramão e bateu de frente com um caminhão”, relata. Com 28 anos na época, casado há um ano e cinco meses e com um filho de quatro meses e 15 dias de vida, Walterson desmaiou logo após a colisão. “Fui atendido em um hospital distante somente cerca de 100 metros da ocorrência, mas tive trauma toráxico, a lesão na coluna e fiquei 18 dias em coma”, lamenta. “Depois, veio a revolta e o desespero. Tentei fazer besteiras, mas, sem força, não consegui. E aí foi minha família que me apoiou e me deu forças para superar aquele terrível momento de minha vida”, prossegue, enaltecendo a presença ao seu lado dos pais e, até hoje, de sua esposa e do filho que está com 35 anos. Uma nova vida. Walterson aposentou-se com cifras “razoáveis, que me permitiam manter bom padrão social e econômico”. Um ano após o acidente, ele decidiu voltar à Uberaba, sua terra natal, onde começou a matar porco caipira para vender. “Fazia este serviço com a cadeira de rodas que só consegui comprar após vender um jogo de quarto e a mobília da cozinha de minha casa, além de contar com uma vaquinha feita pelos meus parentes. Em 1986, comprei uma kombi e passei a comprar bois e vacas, virei criador e acabei montando até uma mercearia e uma casa de carnes, negócios que mantive até 2000”, diz.
A partir de então, Walterson conseguiu voltar a ter a tranquilidade econômica que tanto desejava e que lhe permitiu deixar de trabalhar com o comércio. “Consegui a independência financeira e passei a alugar imóveis. Também tenho tempo para viajar e faço isso para os mais variados destinos que você pode imaginar”, destaca. “Tenho um Citroen Picasso adaptado e dirijo ele rumo a Belo Horizonte, São Paulo, Ribeirão Preto, Uberlândia. Enfim, onde tenho familiares, vou e me divirto fazendo isso”, encerra.