Governador Romeu Zema (Novo) fez apelo aos servidores da Segurança Pública, em greve desde terça-feira (22), e pediu que voltem ao trabalho. Segundo o chefe do Executivo estadual, o reajuste de 10,06% dado a todos os servidores mineiros é o limite do que pode ser oferecido e que está “raspando o cofre” neste momento. A categoria pede recomposição inflacionária acordada em 2019, em três parcelas de 13%, 12% e 12%.
“Agora, o que estamos propondo é esse reajuste de 10,06%. Nós estamos raspando o cofre. Estamos ainda criando a ampliação do auxílio-farda, ou auxílio vestimenta, de R$ 1,8 mil por ano para R$ 6 mil. E eu tenho que ser responsável. Eu não vou fazer algo que vá inviabilizar a vida do estado amanhã”, enfatizou Romeu Zema em entrevista à rádio Itatiaia.
Policiais civis, militares, penais e bombeiros se reuniram em manifestação nesta sexta-feira (25) em diferentes cidades mineiras, inclusive Uberaba. A proposta feita por Zema não foi bem vista pela categoria. Aos microfones do Jornal da Manhã, o subtenente William Rocha, diretor regional da Associação de Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, declarou que o Governo se mostrou incapaz de entender a reivindicação e demonstra certa displicência com a categoria.
“Estamos todos juntos porque não concordamos com essa atitude, principalmente quando ele [Zema] tenta quebrar a paridade, dando 10% para os veteranos e aumentando para três os abonos fardamento para o pessoal da ativa. Ele ainda não entendeu que a classe policial é uma e indivisível”, argumentou o subtenente.
Zema reiterou a proximidade com o carnaval para pedir à categoria que se sensibilize, afirmando que o governo está aberto à negociação. Zema continuou. “Eu quero ainda salientar que vários estados não estão fazendo nenhuma recomposição salarial neste momento. Outros estão, e pouquíssimos estão fazendo algo além do que o estado de Minas. Tem que ficar muito clar eu estou aqui raspando o cofre".
"E quem nos escuta sabe muito bem: nós não temos aqui um pote de ouro não, nós temos aqui um pote de dívidas: R$ 140 bilhões com a União. Eu preciso continuar mandando recursos para as prefeituras, para a saúde, e pagando em dia. Eu não vou jogar confete aqui para chegar amanhã e falar 'não vou conseguir pagar o 13º, não vou pagar em dia’. Eu vou assumir esse compromisso e vou cumpri-lo”, destacou.
BADERNEIROS
Ainda aos microfones da rede Itatiaia, Zema disse acreditar que há interesse político nos protestos por estarmos em ano eleitoral. “Pessoas querendo um holofote, um palanque. E há muita questão midiática. Se nós considerarmos hoje, grande parcela das forças de segurança estão trabalhando. Uma minoria ruidosa é que acaba aparecendo na mídia. Mas, faz parte”, disse à rádio.
O governador também fez críticas a parte do movimento. “Todos nós vivemos em um país democrático e temos o direito de manifestação. Agora, causar problemas aos outros eu sou totalmente contrário e a lei prevê que saúde e segurança não podem faltar com o seu dever. E, da mesma maneira que aconteceu em manifestações anteriores, eu vou obedecer a lei".
"Para mim, aquele que é baderneiro não pode ser tratado da mesma maneira do que o ordeiro, que está cumprindo com suas obrigações. Para mim, o que prevalece é a lei. Se alguém quer fazer bagunça, que seja responsabilizado conforme a lei prevê”, concluiu. *Com informações do jornal Estado de Minas