A mãe, que sabia dos abusos, disse à PM que a filha estava lhe passando vergonha
Adolescente de 13 anos relatou na manhã de terça-feira (21) à instrutora do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência) – uma cabo da PM – em escola municipal de Uberaba que estava sofrendo, pois teria sido estuprada pelo padrasto de 38 anos quando tinha 9 anos, mas que a mãe, de 30 anos, não queria que ela denunciasse o suspeito.
A adolescente disse à militar que tem nojo e medo do padrasto; se sente culpada pelos fatos, que sua mãe não a apoia, mas que não queria que a mesma fosse punida.
Ainda segundo o relato da menor, ela era abusada sexualmente com frequência desde os 7 anos e quando tinha 9 anos aconteceu a conjunção carnal. Na época, ela contou que não tinha entendimento da situação como sendo abuso e, por isso, não relatou o fato a ninguém, não denunciando o suspeito. Os abusos aconteciam em residência do bairro Vila Raquel.
A adolescente também afirmou que várias vezes o padrasto procurava ficar sozinho com ela e a chamava para se deitar com ele. Para isso acontecer ele sempre pedia favores à sua mãe para que ela saísse da residência e os dois permanecerem sozinhos.
Ainda de acordo com a menor, ela contou à sua mãe sobre os abusos; a genitora, contudo, falava que a filha tinha que perdoar o padrasto. Contou também à PM que recentemente foi falar com sua mãe sobre o assunto e a mesma ficou furiosa, lesionando seu braço com unhadas.
Relato da mãe. Ao chegar na escola, a mãe disse que sabia do abuso, mas que não estava sabendo da conjunção carnal. Por outro lado, disse que elas já haviam "resolvido este problema" e que não era para ninguém interferir, pois é um problema de família. Ela disse ser evangélica e que na igreja em que frequenta o casamento é visto como algo sagrado; disse também, segundo a PM, que “passado é passado e que as pessoas podem melhorar”. Ainda relatou que a sua filha estava passando vergonha nela, que não era para ela ter contado a ninguém e que seu marido é muito bom.
A PM deslocou até a residência da menor, onde o padrasto se encontrava com a filha de 9 anos, a qual teve com a mãe da suposta vítima. Em seguida, ele e sua esposa foram conduzidos até a Delegacia de Plantão para mais esclarecimentos, sendo que conselheira tutelar, assistente social e psicólogas foram acionadas para acompanhar as duas menores até o HC-UFTM para passarem por exames médicos.
Relato do padrasto. Segundo o registro da PM, ele disse que a menor pode estar apresentando este comportamento (a denúncia) devido a correções que fez por ela estar com comportamentos que não concorda, como, por exempl ouvir funk, fazer amizades inconvenientes e conversar com rapazes de 20 anos. Disse, ainda, que a tem como filha e que quer somente o bem da mesma.
Ainda conforme o registro da PM, após constatação de que os abusos se deram em datas passadas, que ocorreram de forma permanente e sob ameaça, mas não estando mais no estado de flagrância, o padrasto e a mãe da denunciante foram liberados e orientados a procurar o Conselho Tutelar para se inteirarem quanto às providências que seriam adotadas.
Até o fechamento desta edição, o Conselho Tutelar não possuía posição formada sobre a liberação das menores para o casal.