Uma bebê de 4 meses e 15 dias morreu na noite desta quinta-feira (17) após apresentar agravamento do quadro clínico durante atendimento em um hospital particular de Uberaba. A Polícia Militar foi acionada após o óbito e registrou as versões de uma amiga da família e da médica que estava de plantão. O caso deverá ser analisado pelas autoridades de polícia judiciária.
Segundo o registro policial, a criança era prematura, tinha diagnóstico de hidrocefalia e utilizava uma válvula para drenagem de líquido do cérebro para o abdômen.
A amiga da família relatou à PM que a bebê havia sido levada ao mesmo hospital na quarta-feira (16), por volta das 9h, após apresentar mal-estar, ferida na boca, respiração ofegante e sinais de dor. Conforme o relato, o médico plantonista teria informado que se tratava de uma afta e liberado a criança por volta das 10h.
Ainda segundo a mulher, na quinta-feira a bebê apresentou piora, com episódios de vômito, inclusive com saída de conteúdo pelas narinas. A família retornou ao hospital por volta das 15h.
Durante a espera pelo atendimento, a mãe teria aferido a saturação de oxigênio da filha com um aparelho próprio, obtendo 71%. Conforme o relato registrado pela PM, naquele momento a criança apresentava dificuldade para respirar, vômitos frequentes e abdômen distendido e endurecido.
Médica apresenta outra versão
A médica que assumiu o plantão às 18h52 relatou à PM que recebeu o caso como um quadro respiratório ainda não identificado. Segundo ela, por volta das 19h, foi solicitada a internação da criança, aceita poucos minutos depois.
A médica afirmou que, quando assumiu o plantão, a bebê estava estável, com saturação de 97% e recebendo oxigênio por cateter, a dois litros por minuto.
Durante o período em que acompanhou a criança, a profissional disse ter sido acionada três vezes por episódios de vômito. Nas duas primeiras ocasiões, a bebê foi avaliada e recebeu medicação. No terceiro episódio, o conteúdo apresentava coloração escura, e foi solicitada a colocação de uma sonda.
Paralelamente, segundo a médica, foram realizadas tentativas de contato com o setor de regulação para verificar a existência de vaga e definir uma unidade para transferência, inclusive com possibilidade de encaminhamento para Uberlândia.
Parada cardiorrespiratória
De acordo com o relato médico, às 20h56 a equipe foi acionada porque a criança havia evoluído para uma parada cardiorrespiratória. A médica afirmou que compareceu imediatamente ao local, acompanhada de outro profissional, e iniciou as manobras de reanimação.
Segundo ela, foram realizados dez ciclos de ressuscitação, com administração de adrenalina. Durante o procedimento, houve saída de secreção sanguinolenta pela boca e, conforme a médica, não foi possível realizar a intubação devido à presença dessa secreção.
Após os ciclos de reanimação, a criança não apresentou resposta às medidas adotadas. O óbito foi constatado às 21h17.
A mãe não prestou depoimento à PM devido ao estado emocional após a morte da filha. As informações foram repassadas por uma amiga da família, que afirmou ter sido procurada pela mãe para acionar a polícia.
Caso será investigado
A perícia da Polícia Civil compareceu ao hospital, acompanhada de um investigador, e o corpo da bebê foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Uberaba.
O registro policial informa que, naquele momento, não havia elementos suficientes para identificar o cometimento de crime. O caso deverá ser analisado pelas autoridades de polícia judiciária, que poderão apurar as circunstâncias da morte e verificar eventual existência de irregularidades.