ABSURDO

Bebê de 8 meses com fraturas leva médico a denunciar suspeita de violência em Uberaba

Outra criança da mesma casa, de 2 anos, também apresentava lesão; mãe e homem com quem ela reside foram encaminhados à delegacia

Larissa Prata
Publicado em 18/09/2026 às 07:10
Compartilhar

Uma bebê de 8 meses levada ao Hospital Regional por causa de febre apresentou fraturas nas costelas, hematoma na testa e histórico de outra fratura, levando um médico a acionar a Polícia Militar nesta quinta-feira (17), em Uberaba, por suspeita de violência. Durante as diligências, os policiais encontraram uma criança de 2 anos que vivia na mesma casa e também estava ferida. A mãe e o homem com quem ela reside, ambos de 19 anos, foram encaminhados à delegacia, e as duas crianças ficaram sob os cuidados da avó, conforme o registro da ocorrência. O caso foi noticiado pelo programa Hélio Jr, da Rádio JM.

Segundo as informações médicas reproduzidas no boletim, os exames da bebê identificaram fraturas nas costelas dos dois lados do tórax. A avaliação também encontrou um hematoma na região frontal da cabeça, enquanto os registros hospitalares apontavam uma fratura na região do cotovelo cerca de dois meses antes. As explicações apresentadas para as lesões e as datas em que teriam ocorrido divergiam entre os relatos.

A equipe registrou ainda peso abaixo do esperado para a idade e atraso no desenvolvimento, com dificuldade para rolar e ausência de sorriso social. Na avaliação do médico, o conjunto dos achados, associado à incapacidade de locomoção independente da bebê, justificava investigar a possibilidade de lesões provocadas por violência. Naquele momento, porém, não havia conclusão sobre a autoria nem sobre como os ferimentos haviam ocorrido.

Ao explicar o hematoma na testa, a mãe apresentou diferentes intervalos para uma suposta queda, variando de poucos dias a duas ou três semanas, conforme os relatos registrados pelos profissionais. Diante da lesão e das divergências, foi solicitada uma tomografia de crânio, e a criança permaneceu sob acompanhamento clínico e neurológico durante o atendimento.

Para as fraturas nas costelas, a responsável mencionou a possibilidade de relação com manobras de reanimação no período neonatal. Segundo o boletim, a equipe consultou o hospital onde a bebê teria recebido atendimento anteriormente e foi informada de que não havia registro desse procedimento no nascimento. Até aquele momento, não havia documentação que sustentasse a explicação.

Sobre a fratura anterior no braço, o histórico hospitalar apontava que a mãe havia percebido dor na criança após buscá-la na casa da avó paterna, mas procurou atendimento apenas no dia seguinte. Foram apresentadas diferentes possibilidades para a origem da lesão, sem que a avaliação médica conseguisse determinar como ela ocorreu.

Enquanto o atendimento mobilizava profissionais do hospital e o Conselho Tutelar, policiais foram à residência da família e encontraram a criança de 2 anos com uma lesão recente na região do olho esquerdo. De acordo com o boletim, ao ser questionada na presença do avô, ela atribuiu o ferimento ao homem a quem chamou de pai e fez um gesto indicando um tapa no rosto.

Ainda conforme o registro, a criança repetiu a atribuição posteriormente, no hospital, diante de profissionais que acompanhavam a ocorrência. A mãe apresentou uma versão diferente e afirmou que o ferimento havia sido causado por uma queda.

O levantamento dos atendimentos anteriores também identificou que a criança de 2 anos havia sido diagnosticada com uma fratura na tíbia esquerda em julho. Na ocasião, o relato familiar indicava que o trauma havia ocorrido cerca de cinco dias antes da procura por assistência. Esse histórico foi comunicado à rede de proteção para avaliação junto aos demais episódios.

Com o acompanhamento do Conselho Tutelar, as duas crianças foram afastadas dos cuidados diretos dos suspeitos e entregues à avó. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil para apuração das circunstâncias e da responsabilidade pelas lesões.

Outros casos recentes

A ocorrência foi registrada quatro dias depois de uma menina de 1 ano dar entrada na UPA São Benedito em estado gravíssimo, também em Uberaba. Naquele caso, a criança precisou ser intubada e transferida ao Hospital de Clínicas da UFTM. A mãe e o padrasto foram presos pela PM sob suspeita de tortura, após a identificação de diversos ferimentos e divergências nas explicações apresentadas. 

No acompanhamento desse episódio, o Comdicau informou que a mãe já tinha denúncias de maus-tratos relacionadas a outro filho, que vivia com a avó em Ubatuba (SP). O Conselho Tutelar de Uberaba buscou os relatórios da cidade paulista para reconstruir o histórico familiar e avaliar alternativas de proteção à menina após a alta hospitalar. 

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por