GeoFOGO reúne ocorrências dos últimos anos e orienta ações contra incêndios durante a estiagem
A Lei nº 14.944, que instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e alterou normas como o Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais, completa dois anos nesta sexta-feira (31). Em Uberaba, o Corpo de Bombeiros reforça o alerta para os riscos dos incêndios em vegetação durante o período de estiagem e destaca o monitoramento de áreas com maior recorrência de ocorrências.
A legislação estabelece diretrizes para ações de prevenção, controle e combate aos incêndios, além de regulamentar o uso planejado do fogo em situações autorizadas. Em meio ao período de seca, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais mantém acompanhamento contínuo das áreas com maior risco de propagação das chamas.
Segundo o subcomandante do 8º Batalhão de Bombeiros Militar (8º BBM), major Eudes Humberto de Souza Corrêa, a corporação utiliza ferramentas de monitoramento para identificar regiões com maior incidência de incêndios e direcionar ações preventivas. “O Corpo de Bombeiros Militar realiza o monitoramento contínuo das ocorrências por meio da Plataforma GeoFOGO e de um painel de gestão operacional que reúne dados georreferenciados dos atendimentos realizados ao longo dos últimos anos”, explica.
De acordo com o major, em Uberaba, os incêndios de maior extensão são registrados principalmente em áreas rurais, devido à dimensão territorial do município e à presença de grandes áreas de vegetação.
Já na área urbana, apesar de as áreas atingidas geralmente serem menores, os riscos podem ser maiores pela proximidade com residências, estabelecimentos comerciais e outras estruturas. “Na área urbana, embora as áreas queimadas sejam menores, as ocorrências apresentam risco potencialmente maior devido à proximidade com residências, estabelecimentos comerciais e outras edificações”, afirma.
Entre os principais pontos de atenção estão os lotes vagos e as regiões de transição entre áreas urbanas e rurais. Segundo o Bombeiro, uma queima iniciada na cidade pode avançar para áreas de pastagem, vegetação nativa e lavouras. “A queima em lotes vagos figura entre as principais causas de acionamento da Corporação. Outra preocupação são as áreas periurbanas, uma vez que um incêndio iniciado na área urbana, como uma queima de lixo, por exemplo, pode se alastrar para o meio rural”, destaca.
Segundo o major Eudes, o vento contribui para a propagação mais rápida do fogo, pode mudar a direção das chamas e espalhar fagulhas para áreas ainda não atingidas. “As rajadas de vento representam um fator que aumenta significativamente a complexidade das operações de combate aos incêndios em vegetação. O vento favorece a propagação rápida das chamas, pode alterar repentinamente a direção do fogo e transportar partículas incandescentes para áreas ainda não atingidas, dando origem a novos focos”, explica.
Diante desse cenário, as equipes precisam reavaliar constantemente as estratégias de combate e acompanhar as mudanças nas condições ambientais.
Além das ações em campo, o monitoramento ocorre de forma permanente. “Nosso monitoramento é realizado 24 horas por dia, através da plataforma GeoFOGO”, informou o subcomandante.
A recorrência de incêndios durante a estiagem também representa um desafio para a estrutura do Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, essas ocorrências costumam exigir grande mobilização de efetivo, viaturas, equipamentos e deslocamentos, principalmente em áreas rurais. “Essas ocorrências demandam elevado emprego de efetivo, viaturas, equipamentos e insumos, além de, em muitos casos, exigirem longos deslocamentos até as áreas rurais do município”, afirma.
O aumento das chamadas também gera impacto no atendimento de emergência e reforça a necessidade de prevenção por parte da população. “Também há reflexos sobre a central de atendimento de emergência, em razão do aumento do volume de chamadas, o que reforça a importância da conscientização da população para evitar queimadas e acionar o telefone de emergência apenas em situações reais”, destaca.
Durante o período de estiagem, o Corpo de Bombeiros adota escalas especiais e pode solicitar reforço operacional ao comando regional quando necessário.
A orientação é que moradores não realizem queimadas para descarte de lixo ou limpeza de terrenos e acionem o telefone 193 em caso de incêndio.
(Foto/Divulgação)