Fraude explora expectativa das vítimas e combina dados públicos com pedidos falsos de pagamento antecipado
A fraude explora também a expectativa de quem espera há muito tempo por uma decisão favorável ou pelo pagamento de uma ação judicial (Foto/Reprodução)
Pessoas que aguardam o recebimento de valores na Justiça podem ser alvo de criminosos que se passam por advogados e cobram pagamentos antecipados para supostamente liberar o dinheiro. No chamado golpe do falso advogado, informações verdadeiras de processos judiciais são utilizadas para dar credibilidade à abordagem e convencer as vítimas a transferirem quantias aos golpistas.
Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o delegado da Polícia Civil Elinton Feitosa, que já atuou na área de Crimes Digitais, explicou que os criminosos podem consultar processos públicos para obter nomes de advogados e outros detalhes que ajudem a construir uma abordagem convincente. “Na verdade, o processo público nessas condições tem até o nome da advogada, então é fácil ele conseguir um telefone, fazer clonagem, saber, entender como que ele vai aplicar o golpe com essas informações”, afirma.
A fraude explora também a expectativa de quem espera há muito tempo por uma decisão favorável ou pelo pagamento de uma ação judicial. Ao receber uma mensagem com informações que parecem legítimas, a vítima pode acreditar que o dinheiro finalmente será liberado e aceitar a cobrança apresentada pelo falso advogado. “Então ela se vê naquela condição de que eu ganhei a ação, então para receber eu preciso pagar”, explica Feitosa ao descrever o raciocínio que pode levar a vítima a cair no golpe.
Além da consulta a processos, a inteligência artificial pode ser usada para analisar grandes volumes de documentos e selecionar pessoas que se encaixem no perfil procurado pelos criminosos. Segundo o delegado, a tecnologia permite filtrar informações de acordo com critérios definidos por quem realiza a fraude. “Você baixa um arquivo muito grande de dados e ali você passa pela inteligência artificial, que faz o filtro daquelas situações para saber quem são as vítimas em potencial”, alerta.
O uso da tecnologia amplia a capacidade de análise de informações que já estão disponíveis em arquivos digitais. Com isso, os criminosos podem identificar possíveis alvos sem precisar examinar individualmente cada documento.
A principal orientação é desconfiar de pedidos inesperados de pagamento para liberar valores judiciais. Mesmo que a mensagem apresente o nome correto do advogado, informações do processo ou detalhes sobre a ação, esses elementos não garantem que o contato seja legítimo.
Antes de fazer qualquer transferência, a pessoa deve procurar o advogado responsável por um telefone ou canal de contato que já conheça. Também deve evitar compartilhar senhas, códigos de autenticação e dados bancários com contatos cuja identidade não tenha sido confirmada.
Em caso de suspeita ou prejuízo financeiro, é importante guardar mensagens, números de telefone e comprovantes de transferência, além de registrar boletim de ocorrência.