GOLPE

Golpe da falsa audiência se repete em Uberaba e já soma mais de R$ 900 mil em prejuízos

Criminosos usam informações reais de processos e identidade de profissionais da Justiça para enganar vítimas

Débora Meira
Publicado em 13/09/2026 às 08:07
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Criminosos têm usado falsas audiências, videoconferências e a identidade de advogados e autoridades para aplicar golpes em Uberaba. Casos publicados pelo Jornal da Manhã ao longo de 2026 mostram a repetição do esquema, com vítimas induzidas a realizar transferências e outras movimentações bancárias sob a promessa de receber valores relacionados a processos judiciais. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou ao JM que possui registros recentes desse tipo de golpe na cidade e que há investigações em andamento para identificar os responsáveis e apurar eventual relação entre as ocorrências. 

O caso mais recente ocorreu no início de setembro e envolveu um pai e a filha. Segundo o registro policial, os dois foram contatados por um homem que utilizava a fotografia do advogado responsável por uma ação relacionada à aposentadoria. O suspeito afirmou que havia uma decisão favorável e que uma indenização seria liberada naquele dia. 

Na sequência, as vítimas receberam um link para uma suposta audiência virtual. Durante a chamada, outro homem teria se apresentado como juiz e informado que seria necessário verificar as contas bancárias antes da liberação do dinheiro. A filha foi orientada a movimentar valores entre contas e, posteriormente, transferir R$ 10 mil para uma conta indicada pelos criminosos. 

O episódio não é isolado. Em junho, uma mulher de 46 anos perdeu R$ 69.737,90 após ser abordada por uma pessoa que se apresentou como advogada ligada a um processo judicial. Os criminosos simularam uma audiência e afirmaram que ela teria direito a receber R$ 100 mil. A vítima foi orientada a fazer seis movimentações financeiras, entre transferências, Pix e pagamento de boleto. 

Outro caso envolveu uma mulher de 54 anos que recebeu contato de um falso advogado e participou de uma suposta audiência virtual. Os criminosos utilizaram informações reais relacionadas ao processo para dar aparência de legitimidade à abordagem. A vítima desconfiou e não chegou a sofrer prejuízo. 

Em levantamento publicado em julho, o Jornal da Manhã apontou que os prejuízos informados nos casos publicados até então já ultrapassavam R$ 900 mil. O valor não representa um levantamento oficial das ocorrências registradas em Uberaba. Trata-se da soma dos prejuízos informados nos casos que chegaram à reportagem e foram publicados pelo JM até aquele momento.   

Questionada pelo Jornal da Manhã sobre os casos, a Polícia Civil confirmou que possui registros recentes em Uberaba envolvendo falsas audiências, videoconferências e criminosos que se passam por advogados, defensores, juízes ou promotores. 

Segundo a corporação, as investigações buscam identificar os responsáveis pelas abordagens e verificar se existe relação entre as ocorrências. “Há investigações em andamento para identificar os responsáveis pelas abordagens e apurar eventual relação entre as ocorrências”, afirma a PCMG. 

A Polícia Civil informou, porém, que não fornece neste momento um levantamento sobre o número de ocorrências ou os valores perdidos pelas vítimas. A corporação também não divulgou possíveis padrões identificados nas investigações, para não comprometer os trabalhos. 

O histórico local ganhou atenção após a Defensoria Pública da União (DPU) divulgar alerta sobre golpes semelhantes. Segundo a instituição, criminosos têm se passado por defensores públicos e outras autoridades do sistema de Justiça durante falsas videoconferências. 

Em um dos casos relatados pela DPU, a vítima foi induzida a realizar empréstimos, resgates, transferências e operações via Pix durante uma chamada. Os criminosos inicialmente se apresentaram como integrantes da Defensoria e depois como promotor e juiz. Para dar aparência de legitimidade, foram utilizadas fotografias dos supostos participantes e informações relacionadas ao atendimento da vítima. 

A DPU reforça que não solicita Pix, empréstimos, transferências, pagamentos ou resgates de investimentos para validar a identidade de assistidos, permitir acesso a processos ou viabilizar participação em audiências. 

A orientação é desconfiar de contatos que solicitem movimentação financeira para liberar valores judiciais, peçam acesso a aplicativos bancários ou utilizem nomes e imagens de autoridades para pressionar pela realização de operações. 

A Polícia Civil também orienta que as informações recebidas sejam confirmadas antes de qualquer movimentação financeira. “A orientação é para que as pessoas desconfiem de contatos dessa natureza e não realizem transferências, Pix, empréstimos ou outras operações financeiras sem antes confirmar a veracidade das informações recebidas”, informa a corporação. 

A confirmação deve ser feita diretamente com o advogado ou órgão responsável, por meio de canais oficiais. Quem já realizou uma transferência deve comunicar o banco imediatamente, registrar boletim de ocorrência e preservar mensagens, números de telefone, capturas de tela e comprovantes. 

No caso do Pix, a vítima pode solicitar ao banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento destinado a tentar recuperar valores em situações de fraude. 

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