Os golpes digitais estão cada vez mais sofisticados e já representam um desafio crescente em Uberaba. Dados da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) mostram que os registros de fraudes cibernéticas passaram de 344, em 2020, para 1.221, em 2025, um aumento de 255%. Com o avanço da inteligência artificial, criminosos também passaram a utilizar recursos capazes de imitar vozes e produzir vídeos falsos para convencer as vítimas.
O Grupo JM de Comunicação, em parceria com a Câmara Municipal de Uberaba, promove campanha educativa para alertar cidadãos contra os cibercrimes.
Segundo o especialista em segurança digital Luiz Paiva, muitas fraudes não dependem de invasões complexas a celulares ou computadores. Os criminosos exploram principalmente a confiança, o medo e a pressa das pessoas. Entre os golpes mais comuns estão mensagens de WhatsApp de supostos familiares que trocaram de número, falsas centrais bancárias, links de entregas e multas e lojas virtuais com preços muito abaixo do mercado.
“Os criminosos perceberam que é mais fácil atacar as pessoas do que os computadores”, explica Luiz. A estratégia costuma levar a vítima a realizar transferências via Pix, modalidade que dificulta a recuperação do dinheiro depois que a operação é concluída.
Empresas também estão na mira, especialmente por meio de ataques que bloqueiam sistemas e exigem pagamento para liberar arquivos, além de mensagens falsas que simulam fornecedores e solicitam a alteração de dados bancários.
A inteligência artificial tornou as abordagens ainda mais convincentes. Com poucos segundos de áudio publicado nas redes sociais, criminosos podem reproduzir a voz de uma pessoa e utilizá-la em pedidos falsos de dinheiro. Vídeos manipulados também são usados para divulgar investimentos e produtos fraudulentos. “Com poucos segundos de áudio tirados de um vídeo nas redes sociais, já é possível imitar a voz de alguém. Imagine receber um áudio do seu filho pedindo dinheiro com urgência, com a voz dele”, alerta o especialista.
Em maio deste ano, uma mulher de Uberaba perdeu R$ 1 mil em um golpe de investimento que utilizava vídeos produzidos com inteligência artificial. Na ocasião, além do prejuízo financeiro, ela teve o celular resetado e a conta do WhatsApp comprometida.
Entre os sinais de possível comprometimento estão avisos de acesso não reconhecido, compras ou transferências desconhecidas, mensagens estranhas enviadas aos contatos e perda repentina do acesso à conta. A interrupção inesperada do sinal do celular também pode indicar uma tentativa de transferência indevida da linha telefônica.
Em caso de suspeita, a orientação é entrar em contato com o banco pelos canais oficiais, bloquear cartões e contestar movimentações desconhecidas. Também é importante trocar as senhas, começando pelo e-mail, encerrar sessões abertas e avisar os contatos sobre possíveis mensagens fraudulentas.
Para reduzir os riscos, Luiz recomenda ativar a autenticação em duas etapas, utilizar senhas diferentes para cada serviço, manter os aparelhos atualizados e desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro. Antes de fazer uma transferência, a pessoa deve confirmar a solicitação por outro canal, mesmo quando a mensagem ou o áudio parecem vir de alguém conhecido. “A tecnologia do golpe muda o tempo todo, mas uma família bem-informada continua sendo o alvo mais difícil”, conclui.