ABORDAGENS VARIADAS

Golpes disparam em Uberaba e chegam a 1.200 casos neste ano

Delegado alerta para fraudes cada vez mais sofisticadas e orienta vítimas a registrarem ocorrência

Débora Meira
Publicado em 10/05/2026 às 15:19
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Somente em 2026 já foram registrados cerca de 1.200 casos no município (Foto/Ilustrativa)

Somente em 2026 já foram registrados cerca de 1.200 casos no município (Foto/Ilustrativa)

Os crimes de estelionato seguem em alta em Uberaba e acendem um alerta para a população sobre golpes cada vez mais sofisticados. Somente em 2026, já foram registrados cerca de 1.200 casos no município, segundo o delegado Elinton Feitosa. 

De acordo com ele, não há um perfil único de vítima nem um tipo exclusivo de golpe. As abordagens são variadas e atingem pessoas de diferentes idades. “Eles vão tentando em massa, no maior número de pessoas possível, no menor tempo, buscando o maior ganho”, explica. 

Entre os golpes mais frequentes está o do falso advogado, no qual criminosos usam dados de processos judiciais para prometer liberação de valores mediante pagamento de supostas taxas. “A pessoa, muitas vezes, já está esperando um retorno financeiro e acaba baixando a guarda. Mas é importante reforçar: não se paga para receber valores judiciais”, alerta o delegado. 

Também chamam atenção os golpes envolvendo investimentos, criptomoedas e plataformas falsas. “Quando o lucro é fácil ou muito alto, é preciso desconfiar. Muitas dessas plataformas são fictícias e exigem novos depósitos para liberar supostos ganhos, o que nunca acontece”, afirma. 

Continuam frequentes ainda golpes como o do falso parente pedindo dinheiro, o bilhete premiado e fraudes em compras online via Pix. Em alguns casos, os prejuízos chegam a R$ 400 mil ou R$ 500 mil. Segundo o delegado, a tecnologia, inclusive a inteligência artificial, tem sido usada para tornar os golpes mais convincentes. 

Sobre a recuperação de valores, ele cita o Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Pix, mas ressalta limitações. “O Pix é instantâneo. Quando a vítima percebe o golpe e aciona o banco, muitas vezes o dinheiro já foi transferido ou retirado”, explica. Ainda assim, ele reforça que a vítima deve procurar o banco e registrar ocorrência policial, o que pode ajudar em investigações. 

Para evitar golpes, a orientação é desconfiar de contatos inesperados e não compartilhar dados ou senhas. Instituições financeiras não solicitam informações sensíveis nem instalação de aplicativos. Em casos envolvendo familiares, é importante confirmar a informação antes de qualquer transferência. Também é recomendado evitar links desconhecidos, aplicativos fora de lojas oficiais e priorizar sites confiáveis. Cartões virtuais com limite reduzido podem ajudar em compras online. 

Mesmo quando o valor não é recuperado, o delegado reforça a importância do registro da ocorrência. Com a mudança na legislação, o estelionato passou a ser crime de ação penal incondicionada, ou seja, é investigado independentemente da manifestação da vítima. 

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