REVOLTANTE

Homem confessa homicídio e cita tapa no rosto como motivação

Carlos Paiva
Publicado em 11/08/2026 às 13:56Atualizado em 11/08/2026 às 14:05
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Autor confesso do homicídio foi preso durante as diligências; revólver calibre .38 apontado como utilizado no crime também foi apreendido. (Foto/Divulgação PMMG)

Um homem, de 21 anos, foi preso após confessar a morte de uma adolescente, de 17, atingida por dois tiros na cabeça na madrugada desta terça-feira (11), em uma residência na avenida Sidehan Rosa Muniz, em Pirajuba (MG), a cerca de 90 quilômetros de Uberaba. À Polícia Militar, ele atribuiu o crime a ameaças contra sua vida, esposa e filha, além de um tapa no rosto que afirmou ter recebido da jovem na sexta-feira (7).

A ocorrência foi registrada às 4h55, depois que a Unidade Básica de Saúde comunicou a existência de uma pessoa baleada. Na casa, a proprietária do imóvel, em aparente estado de choque, indicou o quarto onde a vítima estava deitada de costas sobre uma cama de casal, com sangramento em toda a região da face.

A equipe médica verificou ausência de pulso, sons cardíacos e pulmonares, além de pupilas fixas e sem resposta à luz, confirmando o óbito.

A moradora informou que a adolescente havia chegado de Alagoas cerca de 1 mês antes e passou a viver com ela, sem parentes em Pirajuba. No momento do ataque, a testemunha dormia ao lado do filho e da jovem quando acordou com a presença de um homem magro, moreno, usando camisa azul e um pano na cabeça.

De acordo com o relato, o invasor perguntou 2 vezes: “Cadê ela? Cadê ela?”. Ao identificá-la, teria dito “ô ela, ô ela”, atirado contra sua cabeça e fugido.

Câmeras registraram trajeto

Duas câmeras de segurança foram identificadas nas proximidades, uma no quarteirão em frente à residência e outra nos fundos. Uma das gravações registrou um indivíduo entrando por um terreno localizado atrás do imóvel, atravessando a cerca que o separava de um lote vago, além do som dos disparos e da fuga pelo mesmo caminho.

Como as imagens não mostravam saída pela via pública, os militares passaram a procurar o suspeito em imóveis vizinhos. Ao lado da casa havia um conjunto de quitinetes com o portão da frente aberto e um muro baixo nos fundos, estrutura que permitia acesso sem registro das câmeras ou percepção de testemunhas.

Em uma das unidades, as luzes estavam acesas. Apesar de haver movimentação interna e ser possível visualizar alguém por uma fresta, ninguém atendeu inicialmente às batidas na porta. Pouco depois, uma mulher abriu a porta, demonstrando nervosismo e, após hesitar, informou que o marido e o cunhado estavam na residência.

Um jovem, de 18 anos, irmão do acusado, foi encontrado deitado em um quarto, aparentemente fingindo dormir, enquanto o homem de 21 anos estava em outro cômodo. Próximo a uma prateleira havia uma mochila preta aberta contendo um revólver.

Confissão e motivação

Após a localização da arma, o suspeito afirmou espontaneamente que o irmão não tinha envolvimento no homicídio e declarou ter “matado a menina”. Acrescentou que “era homem” e que homem não apanhava na cara.

Ele contou que, por volta das 18h de sexta-feira (7), estava no Bar do Tunin quando a adolescente chegou acompanhada de 4 homens. Segundo sua versão, o grupo passou a ameaçá-lo de morte, enquanto a jovem teria dito que também mataria sua esposa e sua filha, antes de atingi-lo com um tapa no rosto.

O autor confesso relatou ainda que havia morado no bairro Pajuçara, em Maceió (AL), enquanto a vítima residia no bairro Santos Dumont. Disse que a região onde vivia era dominada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e a dela pelo Comando Vermelho (CV).

O homem negou ligação com o crime organizado e qualquer relacionamento com a adolescente. Também afirmou que já havia sido ameaçado por ela em Alagoas, desconhecia sua mudança para Pirajuba e sustentou que, após a chegada da jovem à cidade, as intimidações recomeçaram por ele supostamente pertencer a uma facção rival.

Arma, drogas e roupas apreendidas

Nas buscas, uma bucha de maconha de tamanho considerado significativo foi encontrada na mochila que continha o revólver, no quarto do rapaz de 18 anos. O restante da droga apreendida estava sobre o guarda-roupas do cômodo ocupado pelo acusado do homicídio.

O homem de 21 anos declarou ser proprietário de um revólver Taurus calibre .38, com capacidade para 6 munições, e disse que escondeu a arma no quarto do irmão depois de efetuar os tiros. As munições estavam dentro de uma luva guardada na mesma mochila.

Foram apreendidas 11 munições intactas e 1 deflagrada. Na prateleira também estavam uma camiseta azul de mangas compridas, uma calça preta, uma camiseta preta utilizada sobre a peça azul e uma touca preta empregada para esconder o rosto. O suspeito reconheceu as vestimentas e afirmou ter trocado de roupa ao retornar para casa.

O jovem de 18 anos foi preso em flagrante, em tese, por tráfico de drogas e possível coautoria no homicídio, em razão de o revólver, as munições, as roupas e uma bucha de maconha terem sido encontrados em seu quarto. O autor confesso recebeu voz de prisão, em tese, por homicídio, posse ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas.

A proprietária da casa declarou saber que a vítima era usuária de drogas e publicava fotografias fazendo o símbolo do Comando Vermelho. Disse que já a havia alertado sobre o risco dessas postagens, mas desconhecia qualquer envolvimento com o tráfico. A mãe da adolescente foi comunicada por telefone sobre a morte da filha.

Perícia técnica e encaminhamentos

Os 2 presos tiveram os direitos constitucionais garantidos e foram encaminhados à Unidade Básica de Saúde de Pirajuba para atendimento, conforme os prontuários juntados ao boletim de ocorrência policial.

O imóvel onde ocorreu o homicídio foi isolado para a perícia técnica da Polícia Civil de Uberaba. Concluídos os trabalhos, o corpo foi removido pelo rabecão e levado ao Instituto Médico Legal (IML), em Uberaba. Os envolvidos e os materiais apreendidos seguiram para a Delegacia de Polícia Civil de Conceição das Alagoas, onde foram adotadas as providências cabíveis.

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