
(Foto/Reprodução)
Um investigador da Polícia Civil de Minas Gerais foi demitido após ser acusado de vazar informações sigilosas da Operação Erínias, deflagrada para investigar um grupo suspeito de planejar a morte de autoridades da área de segurança pública em Uberlândia. A decisão foi assinada na quinta-feira (6) pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
O policial havia sido preso preventivamente em outubro de 2023, durante a segunda fase da operação. Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ele teria avisado um dos investigados sobre a ação policial antes da deflagração da primeira fase.
A investigação também apontou que o servidor mantinha contato frequente com um dos alvos da operação. Na análise do celular do suspeito, foram encontradas mensagens e registros de ligações entre os dois. Conforme a decisão administrativa, o investigador também teria realizado consultas em sistemas policiais e repassado informações ao investigado.
Investigador foi preso durante segunda fase da operação
A Operação Erínias foi deflagrada em junho de 2023 por uma força-tarefa formada pelo Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Militar. A investigação apurava um suposto plano para executar autoridades e servidores ligados à segurança pública.
Entre os alvos estavam um delegado, um promotor, um investigador e um diretor de presídio.
O policial foi preso em 24 de outubro daquele ano, durante a segunda fase da operação. Na época, segundo o Gaeco, ele teria colaborado com o grupo investigado e sido flagrado fazendo escolta para um dos suspeitos.
A Justiça determinou o afastamento dele do cargo e o recolhimento das armas funcionais.
Suspeita de consultas em sistemas policiais
De acordo com a decisão da Corregedoria-Geral, as investigações encontraram evidências de que o policial consultava sistemas de informações policiais e encaminhava os resultados a um dos suspeitos.
Na madrugada de 23 de junho de 2023, poucas horas antes da deflagração da Operação Erínias, um dos investigados teria tentado entrar em contato com o policial por telefone. A ligação ocorreu às 1h03 e não foi atendida.
Durante o processo administrativo, o investigador afirmou que estava dormindo naquele momento e que não retornou a ligação.
A Corregedoria, porém, considerou que o conjunto de elementos reunidos no processo — incluindo mensagens, ligações e o relacionamento entre o policial e o suspeito — era suficiente para caracterizar o vazamento de informações sigilosas.
Demissão
Inicialmente, a Comissão Processante havia sugerido uma punição de 30 dias de suspensão, convertida em multa. A Corregedoria-Geral, entretanto, decidiu aplicar uma penalidade mais grave.
Na decisão assinada em 6 de agosto de 2026, a corregedora-geral da Polícia Civil de Minas Gerais considerou que as condutas atribuídas ao investigador eram incompatíveis com a permanência dele na corporação.
O policial foi responsabilizado por infrações previstas no Estatuto Disciplinar da Polícia Civil, entre elas quebra de sigilo de assuntos policiais, uso abusivo da condição de policial e revelação dolosa de informações conhecidas em razão do cargo.
A punição aplicada foi a demissão a bem do serviço público.
A decisão também determina o recolhimento da carteira funcional, armas e demais equipamentos que ainda estejam em posse do ex-investigador, além do cancelamento do acesso dele aos sistemas policiais.
Policial ainda responde a processo criminal
Apesar da demissão na esfera administrativa, o investigador ainda responde ao processo criminal relacionado à Operação Erínias.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), até o momento não há sentença no processo.
Operação investigava plano contra autoridades
A Operação Erínias foi deflagrada em junho de 2023 para desarticular um grupo suspeito de planejar ataques contra autoridades públicas.
As investigações começaram após uma testemunha procurar as autoridades e relatar um suposto plano para matar um delegado, um promotor, um investigador e um diretor de presídio.
Durante as apurações, uma carta apreendida no Presídio Professor Jacy de Assis também teria indicado uma ordem para que os homicídios fossem executados.
Na primeira fase da operação, dez pessoas foram presas. Entre os alvos estavam um influenciador digital e um ex-policial militar.
Posteriormente, o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu denúncia contra os envolvidos, e o investigador passou a integrar a ação penal.