CRUELDADE

Homem é preso suspeito de amarrar cachorra em caminhonete e arrastá-la até a morte em Igarapava

Cadela estava prenha de dez filhotes, que também morreram em decorrência dos ferimentos

Dandara Aveiro
Publicado em 28/01/2026 às 19:32Atualizado em 28/01/2026 às 19:33
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Homem foi preso após amarrar e arrastar uma cadela até a morte em Igarapava (SP). O animal não resistiu aos ferimentos. (Foto/Reprodução)

Um caso de crueldade chocou moradores de Igarapava (SP), no último domingo (25), quando uma cadela morreu após ter sido amarrada à traseira de uma caminhonete e arrastada por cerca de 7 km nas ruas da cidade. A cadela estava prenha de dez filhotes, mas todos morreram antes de serem socorridos. Segundo relatos da Polícia Militar, o suspeito, de 65 anos, foi detido em flagrante por abuso a animais após o episódio registrado no bairro Vila Marilene. A ocorrência foi registrada na Delegacia Seccional de Franca, onde o boletim foi lavrado antes do homem ser encaminhado à cadeia local.  

De acordo com testemunhas, o dono da caminhonete sabia que o animal estava preso ao veículo e seguiu dirigindo mesmo após ser alertado por outras pessoas para parar. Um motorista de aplicativo que presenciou a cena relatou que tentou sinalizar, buzinar e chamar a atenção do condutor para que interrompesse o trajeto e permitisse que a corda fosse cortada, mas o suspeito teria continuado, afirmando apenas que a cachorra era dele, demonstrando ciência da situação. 

Imagens de câmeras de segurança registraram parte do trajeto, mostrando a caminhonete em movimento com o animal amarrado à traseira. Segundo a testemunha, o motorista só parou após ser fechado por outro veículo, mas, mesmo assim, arrancou novamente com a caminhonete. Pouco depois, a corda se rompeu, deixando a cadela caída na via. Ao retornarem para prestar socorro, as pessoas constataram que o animal já estava sem vida. Conforme avaliação de uma equipe veterinária, ela esperava dez filhotes, que também morreram em decorrência do trauma. 

Defesa e investigação 

Em depoimento à Polícia Civil, o suspeito afirmou que não percebeu que o animal estava preso ao veículo e alegou que o neto, de 7 anos, poderia ter amarrado a cadela à traseira da caminhonete. Disse ainda que saiu com pressa para ir à igreja e, por isso, não teria notado a situação. Segundo a delegada Ana Cláudia Fernandes Carvalho, o homem relatou que ouviu pessoas gritando durante o trajeto, mas acreditava que os alertas se referiam a algum cachorro solto na via. Testemunhas, no entanto, contestam essa versão e afirmam que o condutor agiu de forma consciente, ignorando os avisos e seguindo viagem.  

O homem passou por audiência de custódia na segunda-feira (26) e obteve liberdade provisória, devendo responder em liberdade pelo crime de abuso contra animais, agravado pela morte do animal, conforme informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Agora, o caso segue sob investigação da Polícia Civil, que informou que novas testemunhas serão ouvidas e que imagens de câmeras de segurança ao longo do trajeto estão sendo analisadas. A caminhonete usada no crime estava envelopada com o nome de uma empresa, que informou, em nota, que o veículo havia sido vendido recentemente ao suspeito, sem qualquer vínculo com a instituição. 

A reportagem do Jornal da manhã acionou a Prefeitura de Igarapava para solicitar um posicionamento sobre o caso e eventuais medidas adotadas pelo município. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações. 

Cadela foi levada a um hospital veterinário, mas não resistiu aos ferimentos. (Foto/Reprodução)

Outros casos recentes 

O episódio gerou ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa regional, reacendendo o debate sobre a proteção animal e a eficácia das políticas públicas de combate aos maus-tratos. Entidades de defesa animal e moradores cobram maior rigor das autoridades para que crimes dessa natureza não fiquem impunes. 

A comoção se soma a outros casos recentes de crueldade contra animais que também mobilizaram a opinião pública, como o do cachorro Orelha, vítima de agressões severas, e o do cão Abacate, que morreu após levar um tiro, ambos os casos na região sul do país.  

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