Sandro Neves
Duas pessoas - um estudante universitário e uma professora - que participavam do início de uma manifestação contra a reforma da Previdência em frente do Parque de Exposições Fernando Costa foram detidas pela Polícia Militar na manhã de ontem. Eles foram encaminhados, sem ser algemados, à Aisp Olinda, onde foi confeccionado o boletim de ocorrência por desacato à autoridade policial.
A confusão começou quando um dos manifestantes gravou com o celular a ação de abordagem policial de dois suspeitos em uma moto. Segundo o boletim de ocorrência, o policial, ao perceber que o jovem estava gravando a ação, se aproximou e solicitou a sua identificação para que ele servisse de testemunha da ocorrência com os dois suspeitos abordados numa moto. O militar, ainda de acordo com BO, pediu as imagens para comprovar a licitude da ação.
Por outro lado, os manifestantes disseram que houve truculência do policial e que o mesmo não disse nada antes da abordagem ao estudante com a câmera. Uma professora que se manifestou em defesa do universitário também foi imobilizada e encaminhada à Aisp Olinda.
Um estudante, não detido, fez questão de declarar que foi ele quem fez as imagens dos policiais abordando os suspeitos na moto, e não o universitário que foi detido. “Ele estava filmando outras coisas e na hora a gente se assustou”, comenta. “E de repente a viatura parou, o policial desceu e, sem falar nada, arrancou o celular da mão dele, brutalmente, e nós ficamos totalmente sem entender o porquê daquilo”, declarou uma servidora pública, que também estava na manifestação.
A advogada dos manifestantes, Juliana Alves Castejon, afirma que o PM impediu a gravação que era tanto da manifestação quanto das viaturas policiais, tomando o celular, brutalmente, das mãos do estudante. “E isso não poderia acontecer. Primeiro que em lugar público filmagem ambiental é permitida; e também a ação e abordagem policial são permitidas. A gente entende que esta é uma ação truculenta da polícia”, disse a advogada, que complementou que vai encaminhar o fato à Justiça para que se apure e sejam tomadas providências sobre a conduta do policial no sentido de abuso de autoridade. “No momento da ação o jovem apenas disse que o policial não poderia estar fazendo aquilo e não teve resistência. A sensação é de revolta, porque era uma manifestação pacífica e o PM foi agressivo”, finalizou.
O universitário e a professora foram liberados e as informações do BO da PM, bem como as dos manifestantes, foram encaminhadas à Delegacia de Plantão, que vai avaliar se caberá ação judicial.