Sara Monteiro, eleita Miss Universe Uberlândia 2025, é apontada como integrante do núcleo financeiro de organização criminosa; ação já prendeu 24 pessoas e bloqueou milhões em bens

Durante as investigações, agentes registraram a presença da modelo em uma chácara na zona rural de Uberlândia, apontada como base de apoio logístico para o transporte de drogas (Foto/Divulgação)
A modelo Sara Monteiro, de 36 anos, coroada Miss Universe Uberlândia 2025, foi presa na manhã desta quarta-feira (15), em São Paulo, durante uma operação que investiga um esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. A ação ocorre simultaneamente em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Segundo a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), Sara está entre os principais alvos da investigação. Ela havia se mudado recentemente para a capital paulista. Antes, residia em um condomínio de alto padrão na zona sul de Uberlândia, onde também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Até o momento, a operação resultou na prisão de 24 pessoas e na apreensão de 20 veículos. Ao todo, são cumpridos 27 mandados de prisão e 42 de busca, além do bloqueio de até R$ 61 milhões em bens.
Atuação no esquema
De acordo com a Polícia Federal, Sara Monteiro integrava o núcleo financeiro da organização criminosa, liderada por seu marido, que está foragido. Ela seria beneficiária direta dos recursos obtidos com o tráfico de drogas e participaria da ocultação da origem do dinheiro.
As investigações apontam que, embora não atuasse na coordenação das atividades ilegais, a modelo contribuía com a lavagem de dinheiro por meio de gastos elevados, como viagens frequentes e manutenção de um padrão de vida incompatível com rendimentos formais. Durante a prisão, foram apreendidos celulares e um notebook.
Ela deve responder por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Vida de luxo e redes sociais
Nas redes sociais, Sara compartilhava rotina ligada ao universo da beleza, incluindo viagens nacionais e internacionais, atividades fitness e procedimentos estéticos. Ela também mantinha negócios nas áreas de estética e vestuário feminino.
Durante as investigações, agentes registraram a presença da modelo em uma chácara na zona rural de Uberlândia, apontada como base de apoio logístico para o transporte de drogas. Em um dos registros, ela aparece no local em momento de lazer.
Organização estruturada
Segundo a polícia, o grupo atuava de forma organizada há pelo menos um ano e meio, com divisão de funções e logística sofisticada para o transporte de entorpecentes a partir do Mato Grosso do Sul até o Triângulo Mineiro.
O líder da organização, companheiro de Sara, seria responsável por negociar com fornecedores, coordenar rotas de transporte, fornecer estrutura logística e controlar as comunicações. As apurações indicam movimentação superior a R$ 11 milhões sem comprovação de origem lícita.
Título pode ser revogado
Em fevereiro de 2025, Sara recebeu o título de cidadã honorária de Uberlândia, concedido pela Câmara Municipal. A homenagem destacou sua atuação empresarial e participação em concursos de beleza.
Após a prisão, o vereador responsável pela indicação informou que pretende adotar medidas para revogar o título, afirmando que a concessão foi baseada nas informações públicas disponíveis à época e reforçando apoio às ações de combate ao crime organizado.
A operação foi batizada de “Luxury” em referência ao padrão de vida ostentado pelos investigados, marcado por veículos de alto valor, imóveis de luxo e intensa exposição nas redes sociais.