
(Foto/Reprodução/Redes Sociais)
O obstetra Higo Moreira Fonseca, médico de Uberaba, foi acionado ao menos sete vezes pela equipe do Hospital São Francisco, em Três Marias, antes da morte de uma gestante de 29 anos e do bebê que ela esperava. A informação consta nos depoimentos reunidos pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que investiga o caso.
Segundo o diretor da unidade, Joaquim Pereira de Melo Neto, a primeira tentativa de contato ocorreu às 22h08 de segunda-feira (8), após a entrada de Bárbara Luana Fernandes Aleixo no hospital com um quadro de pico hipertensivo. A paciente estava com aproximadamente 30 semanas de gestação.
De acordo com a investigação, novas ligações e mensagens foram feitas ao longo da madrugada, à medida que o estado de saúde da gestante se agravava. Conforme os relatos, a equipe médica reforçou a necessidade da presença do obstetra na unidade, mas ele teria alegado que o caso deveria ser conduzido pela clínica médica.
A última tentativa de contato teria ocorrido por volta das 5h25 de terça-feira (9), cerca de 20 minutos antes da confirmação das mortes da mãe e do bebê.
Ainda segundo a Polícia Civil, o médico chegou ao hospital por volta das 5h27, quando a paciente já apresentava parada cardiorrespiratória irreversível. A investigação aponta que houve discussão sobre a realização de uma cesariana pós-morte para tentar salvar o bebê, mas o procedimento não foi realizado.
Higo Moreira Fonseca foi preso inicialmente por suspeita de omissão de socorro. Posteriormente, a prisão em flagrante foi ratificada pela suspeita da prática de dois homicídios. Na quarta-feira (10), a Justiça concedeu liberdade provisória ao médico, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Ele deixou a prisão na quinta-feira (11).
Em depoimento, o obstetra negou ter sido informado sobre uma emergência obstétrica e afirmou que a condução do caso era responsabilidade da equipe de plantão. A defesa do médico destacou que a investigação está em fase inicial e ressaltou que o regime de sobreaviso é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pedindo cautela na análise dos fatos.
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias da morte da gestante e do bebê para apurar eventuais responsabilidades no atendimento prestado.