OPERAÇÃO SALVAGUARDA

Operação identifica 50 presos ligados a facções em Apacs de Minas

Dos casos identificados, 24 presos já foram transferidos por ordem judicial para o sistema prisional comum; Uberaba ainda prepara implantação de sua unidade

Publicado em 31/08/2026 às 10:53
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Uma operação coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) identificou 50 presos com condenações ou vínculos com organizações criminosas cumprindo pena em unidades da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) no Estado. Entre as unidades alcançadas pelo levantamento estão as de Araxá e Frutal, na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Dos 50 casos identificados na Operação Salvaguarda, 24 presos já foram transferidos, por determinação judicial, para unidades do sistema prisional comum. Os demais casos continuam em análise. O MPMG não informou quantos dos presos identificados estavam em cada uma das Apacs nem especificou de quais cidades foram transferidos os 24 detentos.

A ação foi coordenada pelo Gabinete de Segurança e Inteligência do MPMG e contou com participação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), da Inteligência da Polícia Penal e da Polícia Civil de Minas Gerais. O objetivo foi verificar se o perfil dos presos era compatível com o modelo de cumprimento de pena adotado nas Apacs.

Vínculo com facção impede permanência

As Apacs adotam um modelo alternativo ao sistema prisional convencional, voltado à recuperação e à reintegração social de pessoas condenadas. Por serem unidades de menor contenção, existem critérios específicos para a ocupação das vagas.

A Operação Salvaguarda tomou como referência a Portaria Conjunta nº 49/PR-TJMG/2024. Entre os critérios estabelecidos para ingresso e permanência nos Centros de Reintegração Social estão a impossibilidade de integração a organização criminosa, a inexistência de vínculo com milícias ou grupos paramilitares e o não pertencimento a facções criminosas.

Segundo o Ministério Público, as análises foram individualizadas e também alcançaram unidades de Conselheiro Lafaiete, Divinópolis, Inhapim, Paracatu, Patos de Minas, Pedra Azul, Pouso Alegre, Salinas e Teófilo Otoni, além de outras não detalhadas. Após o levantamento, as informações foram encaminhadas aos promotores responsáveis pelas Varas de Execuções Penais para avaliação de cada caso e eventual pedido de transferência.

Uberaba ainda prepara primeira unidade

Uberaba não aparece entre as cidades alcançadas pela operação porque o Centro de Reintegração Social da APAC local ainda não entrou em funcionamento. A entidade está atualmente na fase de implantação da estrutura e, na semana passada, abriu cotação para contratar a empresa responsável pela primeira etapa das obras.

O projeto prevê inicialmente a construção de estruturas de recepção e segurança e de um bloco para o regime fechado, em área na avenida Juarez Mendes das Chagas, no bairro Maria da Glória. A primeira fase soma 410,76 metros quadrados e tem prazo estimado de oito meses, mas o início dos trabalhos depende da disponibilidade de recursos.

A APAC busca verba junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais e também poderá utilizar doações particulares. A implantação da unidade em Uberaba é discutida há anos e o projeto prevê, futuramente, capacidade para até 200 recuperandos. (https://jmonline.com.br/politica/apac-abre-cotac-o-para-tirar-centro-de-reintegrac-o-do-papel-em-uberaba-1.660233)

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