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Superlotação volta a reter macas de ambulâncias em hospital de Uberaba

Motorista procurou a Polícia Militar após equipamentos utilizados no transporte de dois pacientes permanecerem retidos em hospital

Débora Meira
Publicado em 14/08/2026 às 15:30Atualizado em 14/08/2026 às 15:30
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A falta de leitos para acomodação de pacientes deixou duas macas de ambulâncias retidas em um hospital de Uberaba nesta quinta-feira (13). A situação foi registrada pela Polícia Militar e apresentado no programa Hélio Júnior, da Rádio JM, após um motorista procurar uma Base de Segurança Comunitária, e o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) confirmou que a Unidade de Urgência e Emergência enfrenta volume de pacientes superior à capacidade estrutural de leitos.  

Segundo o boletim de ocorrência, o motorista realizou o transporte de uma paciente para o hospital por volta das 11h. Mais tarde, aproximadamente às 16h20, levou outro paciente para a mesma unidade. 

Nas duas ocasiões, as macas utilizadas pelas ambulâncias permaneceram retidas dentro do hospital e não puderam ser devolvidas imediatamente aos veículos. 

Conforme o relato registrado pela Polícia Militar, uma enfermeira informou ao motorista que a retenção ocorreu devido à ausência de leitos disponíveis para acomodar os pacientes. 

A ocorrência foi registrada para conhecimento e adoção das providências cabíveis. 

Em nota, o HC-UFTM informou que a Unidade de Urgência e Emergência registrava, nesta sexta-feira (14), um volume expressivo de pacientes em atendimento, acima da capacidade estrutural de leitos. 

Segundo a instituição, em períodos de maior procura, alguns pacientes podem permanecer temporariamente em macas. “Dessa forma, em períodos de maior busca, alguns pacientes podem permanecer temporariamente em macas, ocasionando a retenção de parte delas na unidade”, informa. 

O hospital afirmou ainda que, diante desse cenário, aciona rotineiramente o Complexo Regulador da Secretaria Municipal de Saúde de Uberaba, responsável pela autorização de vagas. 

A instituição também informou que realiza avaliação contínua dos pacientes que apresentam perfil clínico compatível com tratamento em outras redes. “O hospital solicita vagas externas sempre que indicado e, assim que ocorre a liberação, entra em contato com instituições de saúde, como a UPA São Benedito, para a remoção das macas conforme o protocolo institucional”, afirma. 

A retenção de macas já havia sido registrada em outras ocasiões na rede de saúde de Uberaba. Entre setembro e dezembro de 2025, a Sociedade Educacional Uberabense (SEU), responsável pela administração das UPAs, contabilizou 68 ocorrências envolvendo retenção de macas. Outros 16 casos foram registrados no início de 2026.  

Na época, o HC-UFTM reconheceu os episódios e relacionou a situação a períodos de superlotação do Pronto-Socorro Adulto. 

A situação interfere diretamente no funcionamento do transporte de pacientes, já que as macas são equipamentos necessários para que as ambulâncias possam realizar novas remoções. 

O HC-UFTM é referência em alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para Uberaba e outros municípios da Macrorregião do Triângulo Sul. A demanda regional já foi apontada anteriormente como um dos fatores de pressão sobre a estrutura hospitalar da cidade. 

Em abril, a secretária municipal de Saúde, Valdilene Rocha, informou ao JM que Uberaba contava com 732 leitos, sendo 75 de UTI, destinados também a pacientes de municípios vizinhos.  

Segundo a secretária, a ausência de leitos de UTI em cidades como Frutal e Iturama contribui para o deslocamento de pacientes para Uberaba. “Foi um período de 20 a 30 dias com muita gente no pronto-socorro, o que gerou retenção de macas. Mas isso já foi resolvido e não está acontecendo mais”, explica. 

A medida prevê avaliação clínica, social e das condições de cada paciente antes da alta, além da participação do programa Melhor em Casa e das equipes da Atenção Primária. 

Também no início de agosto, a Prefeitura anunciou a abertura temporária de 15 leitos de clínica médica no Hospital Regional José Alencar, aumentando a capacidade da unidade de 134 para 149 leitos. 

O novo registro, entretanto, mostra que a pressão sobre a rede hospitalar continua repercutindo no fluxo de ambulâncias e na disponibilidade das macas utilizadas para o transporte de pacientes.

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