Vítima de 41 anos foi espancada, amarrada e lançada de ponte após discussão por dinheiro em casa noturna, mas sobreviveu ao nadar até a margem
(Foto/Divulgação PMMG)
Três mulheres, de 34, 23 e 21 anos, foram presas na última sexta-feira (21) sob suspeita de participar de um ataque brutal contra uma mulher de 41 anos em Veríssimo, no Triângulo Mineiro. A vítima foi agredida, amarrada e jogada de uma ponte sobre o Rio Uberaba, mas conseguiu sobreviver.
O crime, classificado como tentativa de homicídio, aconteceu em 30 de junho. As prisões ocorreram em Uberaba e em Conceição das Alagoas, segundo a Polícia Civil. Um homem de 28 anos, apontado como um dos autores, continua foragido.
De acordo com o delegado responsável, Bruno Vinicius Cordeiro Martins, os suspeitos teriam espancado, amarrado e lançado a vítima da ponte. Durante as buscas, a polícia apreendeu dois celulares e porções de maconha, que serão encaminhados para perícia.
Segundo o relato da vítima à Polícia Militar (PM), tudo começou na manhã de 30 de junho, enquanto ela trabalhava como garota de programa em uma casa noturna de Conceição das Alagoas. Ela percebeu o desaparecimento de R$ 100 de sua bolsa e procurou o proprietário do local, de 28 anos, para reclamar.
Durante a discussão, a mulher afirmou que deixaria o estabelecimento para trabalhar em outra casa da cidade. Conforme o depoimento, o dono do local onde ela trabalhava e o proprietário do estabelecimento rival já tinham desavenças. A Polícia Civil investiga se esse conflito teria influenciado o ataque.
Horas depois, quatro pessoas chegaram ao estabelecimento, segundo a vítima, a pedido do proprietário. O grupo era formado por um motorista de aplicativo, de 26 anos, e pelas três mulheres. Ela relatou que passou a ser agredida com socos e pauladas.
A vítima contou ainda que foi enforcada até perder a consciência e, ao recuperar os sentidos, seguiu sendo espancada. Segundo o relato, ela teve os cabelos cortados, foi amarrada pelas mãos, pelos pés e pelo pescoço e colocada no porta-malas de um carro.
Durante o trajeto até a ponte, de acordo com o depoimento, os envolvidos fizeram ameaças de morte. A mulher disse ter implorado por sua vida antes de ser retirada do veículo e jogada da estrutura. Pelo registro policial, ela foi empurrada pelo motorista e pela mulher de 23 anos.
Mesmo com os pés amarrados por um fio de carregador de celular, a vítima conseguiu soltar parcialmente as mãos enquanto se afogava, nadou até a margem e retirou a amarra dos pés em terra firme. Ela passou a madrugada escondida em uma mata.
Na manhã de 1º de julho, por volta das 10h, uma equipe da PM que seguia pela rodovia AMG-2545 para atender outra ocorrência encontrou a mulher às margens da via. Ela estava descalça, chorando, com as roupas rasgadas e um pano amarrado ao pescoço, gritando que havia sido jogada da ponte.
Após o resgate, policiais foram até a casa noturna indicada pela vítima. Duas mulheres que também trabalhavam no local disseram ter ouvido a discussão sobre o dinheiro e presenciado as agressões, além de confirmarem a presença dos suspeitos. Uma terceira testemunha afirmou que o proprietário voltou ao estabelecimento na manhã seguinte, recolheu os pertences da vítima com o motorista de aplicativo e ambos seguiram para Uberaba.
De acordo com a PM, cinco pessoas teriam participado da tentativa de homicídio. O motorista de aplicativo, de 26 anos, foi preso em flagrante no dia do crime. O carro dele, usado para levar a vítima até a ponte, foi apreendido. Ele negou envolvimento, mas imagens de câmeras de monitoramento registraram o veículo, segundo a investigação.
O delegado relatou ainda que, em uma das casas onde as suspeitas estavam, havia crianças e adolescentes em situação de maus-tratos. Segundo Bruno Vinícius, o ambiente era usado como prostíbulo e apresentava condições precárias. O Conselho Tutelar foi acionado e acompanha o caso.