A morte de uma mulher de 58 anos, assassinada a tiros no bairro Nossa Senhora da Abadia, em Uberaba, voltou a expor uma violência que se repete diariamente na cidade. O crime, divulgado nesta segunda-feira (18) pelo Jornal da Manhã, teve o ex-companheiro da vítima apontado como principal suspeito . O caso ocorre em meio a um cenário em que Uberaba registra média de quase nove vítimas de violência doméstica por dia apenas em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG).
De acordo com a base da Sejusp, o município contabilizou 771 vítimas de violência doméstica entre janeiro e março deste ano. Em 2025, foram 3.260 vítimas registradas ao longo dos 12 meses, número superior ao de 2024, quando a cidade teve 3.104 vítimas.
Os dados mostram ainda que a violência doméstica em Uberaba mantém frequência elevada durante praticamente todos os meses do ano. Em 2025, dezembro registrou o maior número de vítimas, com 304 ocorrências, seguido de setembro, com 293, e janeiro, com 292. Já em 2026, os três primeiros meses tiveram números semelhantes: 261 vítimas em janeiro, 247 em fevereiro e 263 em março.
A análise das ocorrências revela um padrão recorrente de ameaças, agressões físicas e perseguições. Em 2025, a ameaça apareceu como principal natureza registrada, com 962 vítimas, representando 29,5% dos casos analisados. Em seguida aparecem lesão corporal, com 758 vítimas (23,3%), e vias de fato/agressão, com 589 vítimas (18,1%).
Somadas, essas três naturezas concentram mais de 70% dos registros analisados e ajudam a demonstrar como a violência costuma se manifestar de forma contínua antes de chegar a situações extremas. Outro dado que chama atenção é o descumprimento de medidas protetivas de urgência, responsável por 265 vítimas vinculadas a ocorrências em que decisões judiciais de proteção foram desrespeitadas.
Os números de feminicídio também preocupam. Em 2025, Uberaba registrou seis feminicídios consumados e três tentados. Em 2024, houve um caso consumado e três tentativas. Já em 2026, até março, a cidade contabilizou um feminicídio consumado. Nos anos anteriores, os registros também revelam sequência de casos graves: foram quatro feminicídios consumados e três tentados em 2023; dois consumados e um tentado em 2022; um consumado em 2021; e cinco feminicídios consumados em 2020.
Levantamento feito pelo próprio Jornal da Manhã mostra ainda como o tema se tornou recorrente no noticiário local. Entre 2025 e 2026, ao menos 61 matérias relacionadas a feminicídio, tentativa de feminicídio, violência doméstica, Lei Maria da Penha e rede de proteção às mulheres foram publicadas pelo portal. Destas, 30 ocorreram em 2025 e outras 31 em 2026, até o dia 18 de maio.