Foto/Jairo Chagas
Superintendente Maurício Ferreira afirma que o efeito prático do Fumacê é questionável
A frota de veículos da Superintendência Regional de Saúde utilizados para fumacê é formada por 17 picapes, sendo que apenas seis estão em condições de uso. Outros onze carros aguardam pequenos reparos, basicamente, de pneus e bateria. A informação foi revelada pelo o superintendente regional de saúde, Maurício Ferreira, em entrevista exclusiva ao JM Online. Enquanto os veículos estão estragados, as notificações das doenças transmitidas pela Aedes aegypti crescem nos municípios vinculados.
“Se um município pedir um carro será necessário colocar os pneus e a bateria. Às vezes, o município coloca para poder usar. Fala-se que é obrigação do Estado, mas o Estado tem um milhão de obrigações e não cumpre um décimo; e não cumpre porque é dinâmico, tem hora que tem dinheiro e tem hora que não tem”, explica.
Durante o tempo em que as picapes estão sendo usadas pelos municípios, as Prefeituras são as responsáveis pela manutenção, conforme previsto em contrato de cessão.
Embora o sucateamento da frota, não foi este o motivo que levou o Estado a negar o pedido da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para a liberação do fumacê. Segundo Ferreira, os números disponíveis no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) não justificam a medida.
“A justificativa da liberação da bomba Ultra Baixo Volume (UBV) é quando tem incidência de 300 casos de dengue a cada 100 mil pessoas. Uberaba está com 90 a cada 100 mil”, explica. Efetividade do fumacê não é alcançada nunca, diz superintendente
Mesmo com índice médio de 8,9% de infestação do Aedes aegypti nos bairros de Uberaba, o fumacê só será liberado quando a quantidade de notificações atingir o parâmetro previsto pela Secretaria de Estado da Saúde.
O superintendente regional de saúde, Maurício Ferreira, deixou claro que a ferramenta é a última arma utilizada no combate às doenças transmitidas pelo mosquito porque mira o mosquito adulto. "A aplicação espacial a UVB é uma atividade classificada como emergencial e tem como função específica a eliminação das fêmeas adultas do Aedes aegypti e deve ser utilizada somente para bloqueio de transmissão e para controle de surtos ou epidemias", explica ele, esclarecendo que a medida não elimina os criadouros. Assim, o ciclo do avanço da doença não é interrompido.
Ele ponderou, ainda, sobre os riscos que o inseticida pode trazer. “É importante que a população entenda que fumacê é veneno. O objetivo é matar o mosquito da dengue e quando faz isso vai matar também tudo o quanto é inseto. A efetividade do fumacê não passa de 30%, a intenção do fumacê que seria acabar com os mosquitos que estão voando não é alcançada nunca”, afirma.
O superintendente defende que a única maneira de chegar ao patamar ideal no combate à dengue é a população fazendo a sua parte, mantendo as residências e a cidade limpa.
"Quando o município, por algum motivo, não tem êxito, não fez o dever de casa, há uma explosão do mosquito. Não vai aqui nenhuma crítica, porque acho que o Iraci Neto faz um bom trabalho. Não se pode dizer que houve negligência por parte do município, porque não se sabe se os recursos federais estão chegando. Além disso, temos problemas com domicílios fechados e problemas de educação da população, porque é muito fácil as pessoas apontarem o dedo para os vizinhos, mas não limpam seus quintais. Entendo que a explosão da dengue em Uberaba está mostrando que alguma coisa não foi feita corretamente na fase preventiva. O que ficou faltando eu não sei", finaliza Maurício Ferreira.