GUERRA FRIA

Reajuste e vale-alimentação travam acordo entre Prefeitura e professores

Gestão cita limite orçamentário, e Sindemu questiona falta de acesso a informações financeiras do município

Débora Meira
Publicado em 08/05/2026 às 15:49
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As negociações entre a Prefeitura de Uberaba e o Sindicato dos Educadores do Município de Uberaba (Sindemu) seguem em meio ao impasse sobre reajustes salariais e condições de trabalho dos professores da rede municipal. O cenário atual ocorre após audiência de conciliação na Justiça, que suspendeu o processo por 30 dias para tentativa de acordo entre as partes. 

Em entrevista ao Pingo do J, a secretária municipal de Educação, Juliana Petek, afirmou que o governo municipal tem mantido diálogo com a categoria desde o início das reivindicações e reconheceu a legitimidade do movimento grevista. Segundo ela, o sindicato apresentou 13 demandas no início do ano, das quais parte significativa já teria sido discutida e atendida. “Das 13 reivindicações, nove nós conseguimos chegar no alinhamento”, afirma.  

Entre os pontos discutidos estão condições de trabalho, infraestrutura das escolas e questões relacionadas à saúde mental dos servidores. A gestão também afirmou ter construído um cronograma de tratativas ao longo do ano para avançar em pautas estruturais da educação. 

Apesar dos avanços apontados pelo governo, permanecem sem consenso os itens relacionados ao reajuste salarial e ao vale-alimentação. De acordo com a secretária, esses pontos encontram limitações financeiras e legais que impedem a ampliação dos índices já aprovados pelo Legislativo. “Não é sobre falta de diálogo, é sobre limites orçamentários do município”, ressalta Petek.  

O reajuste de 5,4% dos servidores municipais já foi aprovado pela Câmara de Uberaba, em meio a protestos de sindicatos e servidores. A categoria, no entanto, reivindica um índice maior, além de recomposição no vale-alimentação, o que motivou a deflagração da greve por tempo indeterminado no fim de março.  

Durante o movimento, o governo acionou a Justiça alegando risco à continuidade dos serviços essenciais de educação. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão da paralisação e solicitou a apresentação de um plano de contingência para garantir o funcionamento mínimo das escolas. 

A gestão municipal reforça que a educação é um serviço essencial e, por isso, não pode sofrer paralisação total por tempo indeterminado. “O direito à greve existe, é legítimo, mas a educação não pode parar totalmente”, disse a secretária ao comentar a decisão judicial.  

Durante a entrevista no Pingo do J, a presidente do Sindemu, Thaís Villa, contestou a condução das negociações e afirma que pontos acordados em audiência não estariam sendo integralmente cumpridos. 

Ela questiona, por exemplo, a ausência de informações completas sobre as contas do município para embasar a análise das propostas e sustenta que isso impacta diretamente a elaboração de plano de contingência durante a greve. “Se é legítimo, por que entraram judicialmente contra nossa greve?”, indaga. 

A sindicalista também alega que o prazo de 30 dias definido na audiência de conciliação para avanço nas negociações, especialmente sobre o vale-alimentação, não estaria sendo cumprido como acordado, devido à falta de transparência de dados financeiros por parte do município.  

O sindicato mantém a posição de que ainda há espaço para negociação, mas cobra maior abertura e acesso às informações fiscais para embasar qualquer contraproposta. 

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