POLÍTICA

A poucos dias da eleição, Bolsonaro atrai apoio de aliados de Alckmin

Além da adesão da Frente Parlamentar da Agropecuária, candidatos do PSDB gravam vídeos com militantes do capitão da reserva militar

Publicado em 03/10/2018 às 09:56Atualizado em 17/12/2022 às 14:04
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Divulgação

Faltando menos de uma semana para o primeiro turno das eleições 2018, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) vê seus aliados debandando para o lado de Jair Bolsonaro (PSL), manifestando apoio ao capitão da reserva militar inclusive publicamente. 

Ainda ontem (2), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou oficialmente apoio a Bolsonado, por intermédio da deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da FPA. Além de ser de um partido que integra a coligação de Alckmin, a deputada foi cotada para ser vice na sua chapa. O grupo reúne ao menos 214 deputados, sendo 43% deles de partidos coligados à candidatura do tucano, incluindo 18 parlamentares do PSDB.

 A decisão dos ruralistas foi considerada um “golpe duro” na campanha tucana e acena contra preocupação de alguns bolsonaristas, que têm medo de que Bolsonaro não consiga governar por falta de apoio político no Congresso. Nem mesmo a senadora Ana Amélia (PP-RS), vice de Alckmin, conseguiu segurar a debandada. 

Além disso, circulam pelas redes sociais vídeos em que militantes de Bolsonaro aparecem com candidatos de outros partidos em outros cargos, como o caso de João Doria (PSDB-SP), em manifestação que ficou conhecida como “Bolsodoria”. 

Também ontem, Geraldo Alckmin criticou a manifestação da FPA em apoiar Bolsonaro, afirmando que deputados e senadores da frente não foram consultados e que a manifestação foi um “ato individual e extemporâneo”. Alckmin ainda chamou a manifestação da FPA de desrespeitosa. O presidente do DEM, ACM Neto, seguiu o mesmo discurso, afirmando que Tereza Cristina não fala em nome do partido, apesar de falar em nome da FPA. Segundo ele, “o DEM continua firme com Alckmin”. 

Debandadas. Pelo menos quatro candidatos a governador de partidos como DEM, PSD e Novo aproveitaram o debate das afiliadas da Rede Globo nesta terça-feira (2) para pedir votos em Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República. Um deles, inclusive, foi Romeu Zema (Novo). “Aqueles que quiserem mudança podem votar em candidatos diferentes, ou João Amoêdo ou Jair Bolsonaro”, disse o candidato. Em entrevista após o debate, ele voltou atrás e disse que, na verdade, estava pedindo aos mineiros que votam em Amoêdo e Bolsonaro para que votem nele para governador. Além de Zema, no Distrito Federal, Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD) sinalizaram apoio a Bolsonaro. Na Bahia foi a vez de José Ronaldo (DEM). Com a aproximação, o DEM baiano atrai os votos antipetistas na Bahia. Bolsonaro chega a 17% entre os baianos contra apenas 5% de Alckmin. Vale lembrar que, em reunião com a imprensa em Uberaba, deputado Marcos Montes (PSD), vice de Antonio Anastasia, afirmou que não vê dificuldade em apoiar Bolsonaro ao invés de Alckmin, caso o tucano não demonstre crescimento na corrida eleitoral. Ele ressaltou que as duas alternativas representam projetos contrários ao PT. Por isso, a migração não seria incoerente. “Se o meu candidato inicial [Alckmin] não tem chance de alavancar para o segundo turno, eu recomendo que possamos todos dar as mãos e alavancar o Bolsonaro”, manifestou, à época.

 *Com informações do Estado de S. Paulo e da Folhapress

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