Decisão é do ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF, que optou, no entanto, por não decretar o pedido da PGR pela prisão
Atualizada às 12h11
Foto/O Globo
Logo cedo pela manhã a Polícia Federal já estava nas ruas do Rio de Janeiro para o cumprimento de mandados contra o senador Aécio Neves. Endereços ligados a Aécio são alvo de mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Brasília e no Rio de Janeiro. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento imediato do tucano do mandato de senador. No entanto, o magistrado optou por não acatar de forma monocrática o pedido de prisão apresentado pela Procuradoria Geral da República, que deverá ser submetido a plenário.
Além disso, Fachin também determinou o afastamento do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB/PR) da Câmara e, a exemplo do decidido para Aécio, também optou por enviar a plenário o pedido de Rodrigo Janot pela prisão do parlamentar.
Fachin negou no fim desta manhã o pedido de prisão do senador e não levará para o plenário a decisão sobre o assunto. O plenário só vai avaliar o caso se Janot, autor do pedido, decidir recorrer da decisão de Fachin.
A operação ainda se estende aos gabinetes no Congresso do próprio senador Aécio Neves, do senador Zeze Perella (PSDB-MG) e à residência de Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, que foi presa por agentes da PF e também do Ministério Público Federal em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. No Rio, foi preciso solicitar a ajuda de chaveiro para acessar o imóvel de Andréa em Copacabana para o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Este imóvel pertenceu ao ex-presidente Tancredo Neves, avô de Aécio e Andréa.
Operação. A operação foi deflagrada após delação bombástica da JBS, revelada pelo jornal O Globo na noite de quarta-feira (17). Nela, Aécio foi flagrado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista para pagar a defesa dele na Lava Jato. Ainda de acordo com a delação, Aécio indicou um primo dele para receber o dinheiro e a entrega foi filmada pela Polícia Federal. Por meio de rastreamento do caminho do dinheiro, a PF descobriu que foi depositado em uma empresa do também senador Zezé Perrella (PMDB-MG).
Muitos milhões. Colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, ainda revelou que a delação de Joesley Batista, da JBS, foi além. Ele teria pago cerca de R$ 60 milhões em 2014, por meio da emissão de notas fiscais frias a diversas empresas. O dono da JBS também revela que comprou o apoio de partidos políticos para apoiar Aécio a presidente.