A sessão atípica, iniciada com a entrega do diploma de carteiro destaque a quatro profissionais, teve direito a troca de farpas, réplica e tréplica entre os presentes
Após várias semanas de críticas e embates através da imprensa, o prefeito Anderson Adauto (PMDB) e dirigentes das instituições filantrópicas se postaram frente a frente no plenário da Câmara Municipal, na tentativa de estabelecer um consenso sobre o corte de 10% no repasse às entidades em 2009. O prefeito, contudo, não retrocedeu na decisão. Com o auditório lotado de mães, funcionários das entidades e estudantes do Cesube, a sessão começou com 1h20 de atraso devido à sessão secreta na presidência, segundo consta, sobre os projetos do prefeito que compuseram a pauta de votação. O tucano João Gilberto Ripposati manteve a postura anunciada de não mais participar de reuniões secretas, mantendo-se no plenário. A sessão atípica, iniciada com a entrega do diploma de carteiro destaque a quatro profissionais, teve direito a troca de farpas, réplica e tréplica entre o prefeito, vereadores e representantes das instituições. Utilizando um telão, Anderson Adauto estampou manchetes de jornais de circulação nacional mostrando retração econômica em Minas Gerais e São Paulo, pontuando a queda do ICMS principal fonte de receita das prefeituras. Segundo AA, a Prefeitura estimava arrecadar R$ 41 milhões no primeiro bimestre, mas a cifra teve uma retração de 19,02% nos meses de janeiro e fevereiro, totalizando R$ 7,8 milhões. “Hoje, a PMU tem um déficit financeiro de 11,37%, perfazendo R$ 3,8 milhões.” Externou números de seu primeiro mandato, comprovando a elevação gradativa de recursos que atingiram o maior montante o ano passad R$ 6.772.592,45. Conforme prometeu, o prefeito detinha um relatório detalhado sobre os repasses feitos às 65 instituições, que não chegou a ser externado em plenário. Rigidez. Bastante questionado pelos vereadores sobre o atraso nos repasses, o que gera instabilidade nas creches, Anderson Adauto disse ter feito ameaças de demissão ao secretariado se isso ocorrer novamente, prometendo efetivamente um fim para o problema. O prefeito ouviu elogios do avanço de seu governo na área social por Claricinda Massa, coordenadora da Escola Dulce de Oliveira, e críticas da coordenadora da Frente dos Direitos da Criança e do Adolescente, Mariângela Camargos. Segundo ela, o município não está conseguindo atender à demanda reprimida da educação infantil e o corte representa o caos. Ao retrucá-la, o prefeito reafirmou que a coordenadora tenta introduzir uma ação política do Partido Democratas, por manter ligações profissionais com o vice-presidente da legenda. O que rendeu nova troca de farpas: “O senhor é que não está sendo justo com o município. As instituições estão se descabelando e o senhor ainda quer inventar ações políticas? Nunca fui filiada a nenhum partido político e jamais serei”, respondeu. Ao afirmar o fim no atraso dos repasses, o prefeito afirmou que 70% dos recursos serão pagos até agosto e os 30% restantes serão negociados entre 10 e 20 de setembro. O líder governista Cléber Cabeludo (PMDB) reivindicou a antecipação de 15% até dezembro para auxiliar no pagamento de férias e 13º salário. Sem retroceder no corte de 10%, o prefeito disse que os secretários da Educação, Marcos Bordon, e de Desenvolvimento Social, Maria Thereza Rodrigues da Cunha, farão contato com as instituições que estiverem interessadas em assinar convênio em 2009. Movimento. Para a coordenadora da Frente dos Direitos da Criança e do Adolescente do Triângulo Mineiro, Mariângela Camargos, a reunião, embora produtiva, não foi resolutiva.