POLÍTICA

Apuração de denúncias coloca Câmara em xeque

A maioria dos vereadores está cautelosa quanto ao momento atípico que o Legislativo irá viver amanhã, quando serão apresentadas as denúncias de servidores da Casa

Élvia Moraes
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 13:42
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A maioria dos vereadores está cautelosa quanto ao momento atípico que o Legislativo irá viver amanhã, quando serão apresentadas as denúncias de servidores da Casa contra o vereador Jorge Ferreira (PMN) por assédio sexual e improbidade administrativa. Numa sondagem prévia acerca da organização do processo e a expectativa em torno da condução por parte da Mesa Diretora, poucos atenderam à reportagem ontem. Em contrapartida, os entrevistados defendem a transparência nas investigações.

O vereador João Gilberto Ripposati (PSDB) disse que a situação cabe duas análises distintas. A primeira se refere às provas que serão apresentadas, cabendo ao vereador acusado a opção de promover ou não a sua defesa. “Ele, melhor que ninguém, sabe a extensão de suas ações. Se perceber que não tem como sustentar uma defesa, melhor que peça para sair”, afirma o tucano. Já a segunda situação, no entender de Ripposati, está na criação da comissão processante para apurar com rigor a veracidade dos fatos. É dever da Câmara, segundo ele, elucidar as acusações, dando transparência ao processo. “Caso a comissão não seja criada, a CMU está fadada ao descrédito da sociedade uberabense”, afirma o tucano, defendendo a manifestação de Jorge Ferreira, em plenário, logo após a leitura das acusações para apresentar sua defesa. Afirmando ser temente a Deus, não fará pré-julgamentos, reiterando que esses desvios de conduta são as provações enfrentadas por quem detém o poder.

O petista José Severino Rocha não se posicionou como político por não ter tido acesso ao teor das declarações. Preferiu externar o que deseja como cidadão, afirmando ser vital o empenho para que a verdade venha à tona, defendendo a criação da comissão processante.

Já o vereador Tony Carlos não opinou sobre o assunto, alegando ser integrante da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, que não permite manifestações antecipadas sobre uma situação específica.

Procurado pela reportagem, o advogado de Jorge Ferreira, Jacob Estevam de Oliveira, afirmou que o vereador está tranquilo quanto à sessão de amanhã, por ter a consciência de não ter cometido nenhum crime.

Quanto à nota divulgada ontem pela direção estadual do PMN, o defensor disse que a direção local da legenda está de acordo, uma vez que não há intenção de condená-lo previamente. “É aguardar os fatos”, conclui.

Apuração. Ativista política e principal cotada para assumir a Coordenadoria das Mulheres, cuja criação pela prefeitura não foi concluída, a ex-vereadora Marilda Ribeiro afirma que as denúncias devem ser apuradas de acordo com o Regimento Interno da Casa. “Se eu estivesse na Câmara, pediria apuração severa para os fatos”, afirma a petista, lamentando que no momento em que são discutidas políticas de controle à violência contra a mulher, o Legislativo local tenha que enfrentar tamanho desgaste.

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