Os R$1,8 bilhão necessários à viabilização do gasoduto ligando Queluzito, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Uberaba representam mais do que o dobro do capital da Gasmig
Os R$1,8 bilhão necessários à viabilização do gasoduto ligando Queluzito, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Uberaba representam mais do que o dobro do capital da Gasmig, “que não tem condições de construí-lo sozinho”, disse ontem o presidente em exercício da empresa, José Luís França dos Santos, ao justificar a PEC 68/14 em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A proposta autoriza o governo mineiro a alterar a composição de sociedades de economia mista e empresas públicas controladas pelo Estado, bem como alienar suas ações. Segundo José Luís, a matéria visa a assegurar a associação entre a Cemig, sócia da Gasmig, com a espanhola GNF (Gás Natural Fenosa) na viabilização do gasoduto, que terá 530 quilômetros. “A construção do duto é o grande vetor da associação”, disse ele, citando que a Companhia Energética de Minas Gerais buscou outros sócios para o projeto que inclui a formação de um holding, a Gás Natural Brasil (GNB). O duto que passará por 26 municípios, entre os quais, Divinópolis, Juatuba, Igarapé, Mateus Leme, Itaúna, Lagoa da Prata, Luz, Araxá e Delta, até chegar a Uberaba, abastecerá a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras. A previsão é de transportar 2,5 milhões de metros cúbicos/dia de gás, sendo a principal cliente a planta de amônia (1.235 milhão m³/dia), seguida da Usiminas (600 mil m³/dia), em Mateus Leme (RMBH). Ainda segundo José Luís, o outro sócio da Gasmig, a Petrobras, achou por bem que o duto não era um investimento estratégico nos seu plano de negócios, o que levou a Cemig a buscar a parceria fora, com a GNF. “Estamos criando um polo de desenvolvimento em Minas Gerais e não podemos deixar o Estado perder”, colocou o dirigente, declarando ainda que a associação criará a maior distribuidora de gás do país. “Essa é uma bandeira dos mineiros. Todos, independentemente de questão partidária, devem se dar as mãos”, disse José Luís, em relação aos deputados que votarão a PEC.