A votação do relatório que pede a cassação do vereador Jorge Ferreira (PMN), acusado de improbidade administrativa e assédio sexual, está marcada para a próxima segunda-feira (15). A data foi definida ontem pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Lourival dos Santos (PCdoB). Durante a sessão, o presidente havia convocado os colegas para uma reunião reservada, mas desistiu, alegando que tem autonomia para decidir qual a melhor data para votar o relatório.
Os vereadores concordaram com a decisão do presidente e muitos afirmaram que quanto mais rápido definir esta situação, melhor para todos. “Evita desgaste da imagem da Câmara e também do próprio vereador”, afirmou Antônio dos Reis Gonçalves Lerin (PSB).
Já o vereador Cléber Cabeludo (PMDB), vogal da Comissão Processante, não quis revelar se vota favorável ou não à cassação do vereador. Ele, que não quis assinar o relatório na semana passada, quando da entrega ao presidente do Legislativo, disse que espera conclusão de sua equipe jurídica, que analisou todo o processo. Independente da assinatura de Cabeludo, o documento já está com os demais vereadores.
Cléber Cabeludo disse também que a demora em assinar o documento não tem relação com o parecer do relator vereador José Severino Rosa (PT). “Minha opinião será técnica e jurídica”, afirmou. O vogal reclamou ainda que não participou do fechamento do relatóri “Não fui convidado pelo relator para a conclusão do documento” – por isso preferiu não assinar sem antes conhecer seu conteúdo.
O vereador Lerin disse que entregou o relatório à Executiva do partido. “Vou me posicionar com o partido. Achei importante ouvir a opinião de quem está de fora. Sei da responsabilidade do meu voto e vou fazê-lo com coerência”, garantiu o vereador.
Para a cassação do vereador Jorge Ferreira serão necessários 10 votos. A votação do relatório está prevista para começar às 9h da próxima segunda-feira, no plenário da Câmara.
Pizza. Pessoas favoráveis à cassação do vereador Jorge Ferreira tomaram ontem o plenário da Câmara, durante o horário da sessão, como forma de pressionar os vereadores para votarem junto com o relatório do vereador relator José Severino Rosa (PT).
Ariel Ruas, Débora Mara Resende, Péricles de Sousa Borges e Jonatas Lemos Arieira levaram pizzas e uma faixa com os dizeres: “Câmara Municipal de Uberaba, uma vergonha nacional! E agora, vereadores?”.
Durante apresentação ao vivo de uma emissora de televisão, um dos membros do grupo passou por diversas vezes na frente da câmera comendo pizza, enquanto a repórter entrevistava o vereador acusado de improbidade administrativa e assédio sexual. Ariel Ruas disse que é um eleitor e que decidiu protestar devido às denúncias divulgadas em noticiário da cidade sugerindo suborno para vereadores votarem contra a cassação. “No dia da votação, nossa manifestação será ainda maior”, disse o manifestante.
Os vereadores não se manifestaram em relação ao episódio. Alguns afirmam que a verdade só será conhecida no dia da votação em plenário, na próxima segunda-feira.