"TEST DRIVE"

Candidato a deputado ou ensaio para 2028? Analista vê “test drive” nas urnas de Uberaba

Fabiano Elias afirma que algumas candidaturas podem funcionar como preparação para futuras disputas municipais

Joanna Prata
Publicado em 02/10/2026 às 15:09
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 A perda de força política de Uberaba nas últimas eleições e a necessidade de concentrar votos em candidaturas com condições de conquistar vagas no Legislativo estão entre os principais desafios apontados pelo analista político Fabiano Elias para a cidade. Ao Pingo do J, da Rádio JM, ele avaliou que parte dos candidatos que entram na disputa sem perspectiva de eleição acaba utilizando a votação como uma espécie de teste para projetos políticos futuros, enquanto a divisão dos votos entre vários nomes pode enfraquecer a representação do município. 

Para Fabiano, a discussão não deve ser tratada apenas como uma disputa entre candidatos, mas como uma estratégia de representação regional. Ele cita como exemplo Patos de Minas, que conseguiu, segundo sua avaliação, emplacar um vice-governador, enquanto Uberaba enfrenta dificuldades para manter protagonismo político. “Os líderes têm que ser líderes para defender a cidade, e o momento nevrálgico, o momento agudo, é a defesa da cidade. E aí tem que pensar em Uberaba”, afirma. 

O analista considera que a presença de candidatos de outras cidades na votação de Uberaba não é, por si só, o principal problema. Segundo ele, dados que acompanha desde 1998 indicam que cerca de 38% dos votos para deputado na cidade, em média, são destinados a nomes de fora. O ponto central, na avaliação dele, seria a quantidade de candidatos locais sem força suficiente para conquistar uma cadeira. “O que está atrapalhando é gente de Uberaba inviável”, diz. 

Fabiano também relaciona essa fragmentação à possibilidade de candidatos que sabem não ter votos suficientes para se elegerem em 2026 usarem a eleição para construir uma trajetória política. Segundo ele, uma candidatura a deputado pode funcionar como um “test drive” para uma futura disputa municipal, já que uma votação menor pode representar uma demonstração de força para eleições de vereador, vice-prefeito ou prefeito em 2028. “Ele coloca o nome dele, aprova e faz um test drive nas eleições de deputados”, afirmou. 

Na avaliação do analista, esse movimento é estimulado, em alguns casos, pela própria estrutura partidária. Presidentes de legenda podem apresentar projeções de votação que não se confirmam nas urnas e, mesmo diante de uma candidatura sem viabilidade eleitoral imediata, oferecer ao político a possibilidade de disputar um cargo municipal posteriormente. “Eu vou ser candidato, eu preciso de 50 mil votos, eu vou ter 8. Se eu tiver metade disso para vereador, eu estou eleito”, exemplifica. 

A divisão dos votos entre candidatos locais também interfere, segundo Fabiano, na capacidade de Uberaba eleger representantes. Ele cita a eleição de 2022, quando um candidato da cidade teria alcançado 72 mil votos e ficado próximo de conquistar a vaga, enquanto outros nomes do mesmo campo político também receberam milhares de votos. Para o analista, a questão não é impedir a candidatura de ninguém, mas fazer uma leitura sobre a viabilidade eleitoral de cada projeto. 

Fabiano avalia que o movimento de mobilização por candidaturas locais observado nesta eleição pode reduzir a dispersão dos votos e fortalecer a representação de Uberaba. “Não é ser vingativo, não é gostar de A ou de B, é ser estratégico”, afirma. Ele também defende mudanças no sistema eleitoral, como o voto distrital, por entender que parlamentares vinculados diretamente a uma região teriam maior responsabilidade na defesa de investimentos, infraestrutura, saúde e educação locais. 

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