Humberto Trajano/G1/Divulgação
Na reta final para o primeiro turno, que acontece neste domingo (7), candidatos mineiros se enfrentaram no último debate antes dos eleitores irem às urnas, realizado pela TV Globo, na noite de ontem (2). Ao contrário dos demais debates, cuja polarização ficou centrada entre PT e PSDB, desta vez outros candidatos entraram no fogo cruzado. Foi o caso de Romeu Zema (Novo), estreante em pleitos e também em debates, e foi bastante criticado.
Estiveram presentes seis candidatos: Adalclever Lopes (MDB), Antonio Anastasia (PSDB), Claudiney Dulim (Avante), Dirlene Marques (PSOL), Fernando Pimentel (PT) e Romeu Zema (Novo). O debate foi dividido em quatro blocos, sendo os três primeiros com perguntas entre candidatos e o último voltado para perguntas e considerações finais.
Fernando Pimentel (PT) foi o último a chegar e o primeiro a questionar os concorrentes. Ele começou com Adalclever Lopes (MDB), seu antigo aliado e com quem bateu bola, criticando Antonio Anastasia (PSDB). Adalclever e Pimentel evitam confronto direto entre si e sempre se posicionam próximos nos debates e neste não foi diferente.
Dirlene Marques (Psol) abriu sua participação reforçando a manifestação #elenão, que levou milhares às ruas em todo o país contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), usando, inclusive, uma camisa com o escrito #elasim: “Sou a única candidata mulher ao governo”.
Dirlene questionou Romeu Zema (Novo) sobre o genocídio da população LGBTI e, ao invés de responder, o candidato optou por se colocar como o candidato não-político, exaltando sua trajetória como empresário. “Eu já criei mais de 5 mil empregos”, disse, pregando o Estado mínimo.
Em sua vez, Zema questionou Antonio Anastasia (PSDB) sobre o fato de pregar corte de gastos, apontando que em governos anteriores ele não agiu assim, citando como exemplo a Cidade das Águas. “Temos governantes que estão longe de zelar tratar o meu dinheiro e o seu com muito respeito”, alfinetou o candidato do partido Novo. Anastasia rebateu, lembrando que a obra da Cidade das Águas foi patrocinada pelas Nações Unidas e aproveitou para retrucar a afirmativa de Romeu Zema de que ele mesmo era o único que pagava impostos. “Sou servidor público e pago quase 27,5% em impostos. Quem não paga é o senhor que repassa os impostos nas suas lojas”, afirmou.
Anastasia, por sua vez, questionou Claudiney Dulim (Avante) sobre desemprego. O adversário sustentou que o Estado deve dar condição para que a iniciativa privada crie empregos.
No segundo bloco, o alvo continuou sendo Romeu Zema, que foi criticado por Anastasia ao apresentar a proposta de criar concorrência contra estatais como Cemig e Copasa. O candidato tucano lembrou que a Constituição não permite tal façanha. Em sua vez, Romeu Zema ignorou o tema “Saúde” e optou por perguntar a Pimentel sobre a crise no Estado. O governador enfatizou que a crise advém da previdência e que a situação requer uma solução federal, aproveitando, mais uma vez, para fazer campanha para Fernando Haddad.
Zema disse que, se eleito, não receberá salário até que a situação se regularize e questionou o porquê de o governador não fazer o mesmo. “Zema, não sou rico como você. Por mais que seja mínimo o salário de governador, preciso dele para sobreviver. Meu salário recebo parcelado, como todo servidor do estado. Nosso problema é déficit da previdência pública”, rebateu o petista.
O terceiro bloco foi o mais quente entre eles, com enfrentamento direto entre Anastasia e Pimentel, e Zema voltou a ser alvo de críticas. Dessa vez, partiram de Claudiney Dulim (Avante). “Eu estava nas ruas enquanto o senhor estava em Harvard. O senhor vive em uma realidade principesca, deitado sobre sua fortuna e, aos 53 anos, decidiu ser o último bastião da moralidade”, criticou o candidato.
No mesmo tom, Anastasia aproveitou para criticar o candidato do Novo sobre suas críticas à burocracia que envolve obras públicas. “Vou lhe ensinar isso. Não se escolhe livremente quem será contratado”, alfinetou, aproveitando para provocar Pimentel, afirmando que algumas intervenções não foram concluídas. “O que aconteceu é que o atual governador não deu continuidade às obras”, disse.
Pimentel, em sua fala, falou em “herança maldita” do PSDB, mas, apesar das críticas, evitou o confronto direto. O governador acusou os tucanos de realizarem obras desnecessárias, provocando rombo nas contas públicas.
*Com informações do Estado de Minas