A média de atendimentos no período de 25 a 30 de dezembro passa de 120, enquanto que nos seis dias anteriores era de 66 casos diários
Foto/Jairo Chagas
UPA do bairro Mirante registrou crescimento 80% no volume de atendimentos de síndrome gripal
Período Sintomáticos Média/dia UPA São Benedito 18 a 23 dezembro 403 67,2 25 a 30 dezembro 727 121,2 UPA Mirante 18 a 23 dezembro 394 65,7 25 a 30 dezembro 734 122,3
O atendimento de casos de síndrome gripal nas unidades de pronto atendimento aumentou de forma considerável nos últimos dias em Uberaba. Segundo dados obtidos com exclusividade pelo Jornal da Manhã junto à Funepu, as duas UPAs tiveram média de mais de 120 atendimentos por dia cada uma, no período entre os dias 25 e 30 de dezembro. A título de comparação, nos seis dias anteriores tinha registro de cerca de 66 atendimentos por dia.
O aumento representa 86% para a UPA São Benedito e 80% para a UPA Mirante, considerando os atendimentos sintomáticos respiratórios, no comparativo entre as semanas antes e depois do Natal. O dia 24 de dezembro, ainda de acordo com dados da Funepu, teve 38 atendimentos de síndrome gripal na UPA Mirante e 48 na São Benedito. No balanço geral do ano, de janeiro até 22 de dezembro foram realizados 49.551 atendimentos de síndrome gripal nas duas unidades em Uberaba.
O alerta já havia acendido com o aumento da taxa de transmissão da Covid-19 na cidade, calculado semanalmente. No primeiro dia de dezembro, por exemplo, o chamado Rt estava em 0,94; já o do dia 30 era 1,26. De acordo com o infectologista Rodrigo Molina, este aumento se deve ao fato de as pessoas estarem se protegendo menos contra o coronavírus. “Elas estão deixando de fazer as proteções que deveriam, estão circulando um pouco mais. A gente acredita que vai ter uma maior transmissibilidade agora nesse período que as pessoas vão viajar, vão em festas, vão se aglomerar. Então, o aumento da transmissibilidade está muito relacionado à diminuição de medidas efetivas”, alerta.
Para ele, a vacinação tem especial impacto nesse cenário. Isso porque, apesar do aumento no número de casos, a gravidade permanece baixa. “Então, aumentou o número de casos, porém, sem aumento de casos graves, mostrando que a vacina protege contra o agravamento e óbitos. Não curou a Covid, mas diminuíram os óbitos e a ocupação de leitos de UTI, que vêm sendo bem menos utilizados”, avalia o infectologista. Contudo, importa ressaltar que esse é também um dos motivos que levam as pessoas a diminuir os cuidados com a transmissão da doença, comportamento não recomendado.
Nesse sentido, é preciso lembrar que a pandemia, apesar de arrefecida se comparada ao seu início, ainda não terminou, mesmo com o avanço da vacinação. Por isso, os cuidados devem ser redobrados, com o uso de máscara de proteção facial, álcool em gel e distanciamento social.