A retomada das plenárias na Câmara após quase 30 dias entre a última reunião em abril e a primeira de maio, dia 13, trouxe de volta à Casa uma situação que já é recorrente: o atraso no início dos trabalhos. O Regimento Interno do Legislativo estabelece que as reuniões comecem às 14h, com duração até as 18h, entretanto, desde o início da atual legislatura, raramente a regra tem sido cumprida.
A situação chegou ao ponto de o vereador Edmilson de Paula (PRTB) apresentar um requerimento onde solicita aos próprios colegas que as sessões comecem no horário. Em que pese a demanda ter sido aprovada por unanimidade, ainda em março, na prática nada mudou. Pelo contrário, semana passada as reuniões começaram atrasadas todos os dias e, a cada plenária, mais distantes do horário regimental.
A Mesa Diretoria procede à chamada dos vereadores às 14h10, mas a falta de quórum impede a abertura da sessão, que não raro só vai começar depois das 15h, após a segunda chamada. Para Marcelo Borjão (DEM), é preciso mais responsabilidade e chegar no horário para começar os trabalhos no máximo dez minutos além do previsto no regimento.
Ele elogiou o colega Edmilson pela iniciativa de discutir o assunto e conseguir aprovar o requerimento que pede o cumprimento da regra, mas avalia que as longas discussões em plenário são mais prejudiciais ao andamento dos trabalhos. Borjão trata como perda de tempo ficar debatendo projetos que não têm a menor condição de prosperar ou que, de tão simples, bastaria votar. Vice-presidente da Câmara, Samir Cecílio (PR) concorda com o colega e defende priorizar o tempo e usá-lo com as proposições que realmente necessitam ser discutidas.
“Às vezes entra na pauta um projeto de utilidade pública, ou outro onde nenhum vereador tem interesse contrário, só de ajudar. Então, tem que ajudar logo e isso se faz votando logo, tirando da pauta”, exemplifica Samir, ponderando apenas que “esse falatório também faz parte do parlamento”. Para ele, é difícil qualquer um querer resolver a situação sozinho e, nesse sentido, prega o entendimento entre o grupo.
O próprio Borjão admite que às vezes exagera na dose e fala muito, até desvirtua o assunto, como fazem outros colegas, mas insiste que é preciso pôr fim às discussões em torno dos projetos simples. Samir, que faz mea culpa ao reconhecer que “normalmente atrasa”, mas nunca chega depois de iniciadas as sessões, arremata que é normal o vereador querer uma “beiradinha“ nos projetos, o que não significa aceitar a situação, que reitera: somente irá mudar se houver um entendimento do conjunto.