O teor das denúncias formalizadas contra o vereador Jorge Ferreira (PMN) não foi revelado, ontem, pelo presidente da Câmara Municipal, Lourival dos Santos (PCdoB)
O teor das denúncias formalizadas contra o vereador Jorge Ferreira (PMN) não foi revelado, ontem, pelo presidente da Câmara Municipal, Lourival dos Santos (PCdoB). O assunto está sendo conduzido com sigilo pelo Legislativo, tendo a imprensa acesso apenas às informações repassadas pela Secretaria de Comunicação. Hoje, às 17h, acontece reunião restrita com a Comissão de Ética, convocada pelo presidente da Casa.
A comissão é presidida por Almir Silva (PR), tendo como relator o peemedebista Cléber Cabeludo e, ainda, os vereadores Afrânio Lara Resende (PP) como vogal e Tony Carlos (PMDB) na suplência.
As denúncias seguem o desdobramento esperado. Ontem, o Ministério Público oficializou a Câmara, requisitando a qualificação completa de todos os servidores lotados no gabinete do vereador Jorge Ferreira, além de cópias das denúncias.
Em nota distribuída à imprensa, o presidente Lourival dos Santos disse que o Legislativo não pode se furtar a analisar o teor das denúncias, reiterando a intenção de não promover juízo antecipado de valores e conduta. “A Câmara e as instituições legais têm mecanismos para apurar a veracidade ou não dos fatos e é isso que vamos fazer com critério. Não podemos pré-julgar quem quer que seja, sob pena de cometermos equívocos”, afirma.
Reação. Os comentários nos bastidores sobre a movimentação em torno de Jorge Ferreira eram intensos. Segundo fonte, um alto funcionário de um deputado federal, cuja esposa trabalha na Câmara, estaria “trabalhando intensamente” em telefonemas e contatos na tentativa de salvar politicamente o vereador acusado.
Fonte ligada à reportagem assegurou que no Legislativo o clima é de revolta, pela imagem maculada da atual legislatura. Ainda segundo informações, duas novas servidoras teriam se manifestado quanto ao assunto.
Postura. O advogado do vereador acusado, Jacob Estevam de Oliveira, disse ao Jornal da Manhã que Jorge Ferreira trabalhou normalmente ontem em seu gabinete, no anexo da Câmara, sem nenhuma anormalidade. Segundo o defensor, não houve nenhuma notificação por parte da presidência ou outro órgão, devendo, portanto, ocorrer a manifestação somente após o acesso ao teor das denúncias de assédio sexual e improbidade administrativa.
Quanto às demissões promovidas pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN) no gabinete do vereador Jorge Ferreira, o advogado esclareceu que não ocorreram de forma abrupta, mas estavam previstas há mais de uma semana pelo presidente da legenda, Marcos Acácio Moraes de Oliveira, em função do não-cumprimento de metas de trabalho.
Haveria entendimento de que os cargos pertencem à sigla, e não ao vereador. “Vamos aguardar os acontecimentos”, afirma o advogado, reiterando que o vereador Jorge Ferreira também dispõe de testemunhas que se irão se manifestar em momento oportuno acerca de sua conduta.