Quatorze meses depois de a Câmara Municipal de Uberaba aprovar a concessão do Kartódromo Ayrton Senna à Associação de Kart e Arrancada de Uberaba (Akau), a Prefeitura ainda trabalha na formalização do contrato que permitirá à entidade assumir oficialmente a área. A autorização legislativa foi concedida em agosto de 2025, mas somente agora, em outubro de 2026, o Executivo ratificou o procedimento administrativo para celebrar a concessão, que terá duração de 20 anos.
O despacho assinado pela prefeita Elisa Araújo em 9 de outubro e publicado nesta terça-feira (13) autoriza o prosseguimento do processo e determina a elaboração do contrato. A medida envolve uma área pública de 72.137,78 m², localizada na avenida Doutor Randolfo Borges de Araújo, no Parque Tecnológico de Uberaba.
A demora na formalização contrasta com a expectativa gerada quando o projeto foi aprovado por unanimidade na Câmara, em 13 de agosto do ano passado. Na ocasião, a concessão foi apresentada como solução para recuperar um equipamento esportivo abandonado havia anos e que teve parte de sua estrutura destruída pela ação de vândalos.
O projeto anunciado previa investimento inicial de R$ 500 mil pela associação, com recuperação da pista, construção de boxes, banheiros, oficina e lanchonete. Também foram apresentados planos para implantação de uma escola de pilotos, com vagas gratuitas destinadas a estudantes de baixa renda, além da realização de competições regionais e nacionais.
Durante a tramitação da proposta, o então presidente da Câmara, Ismar Marão, relatou que os próprios praticantes de kartismo já realizavam reparos na pista com recursos particulares. O vereador também destacou a instalação de alambrado no kartódromo, viabilizada por emenda parlamentar de R$ 120 mil, como medida para conter novas depredações.
Apesar dessas iniciativas, a concessão ainda não havia sido formalizada por contrato. O ato publicado agora estabelece que o instrumento deverá observar as condições previstas na Lei Municipal nº 14.431/2025 e no protocolo de intenções firmado entre as partes, especialmente em relação aos investimentos, prazos e obrigações assumidas pela associação.
Na época da aprovação, a expectativa também era movimentar o turismo esportivo e estimular a formação de novos pilotos. A associação projetava faturamento anual de R$ 350 mil e geração de 12 empregos, sendo 2 diretos e 10 indiretos, a partir da recuperação e exploração do espaço.
Passados mais de 14 meses da autorização legislativa, a Prefeitura chega à etapa de formalização da parceria, mas ainda não há confirmação pública de reabertura regular do kartódromo ou de execução integral dos investimentos anunciados. O despacho também não estabelece nova data para início das atividades, remetendo os prazos e obrigações aos documentos que deverão integrar o contrato.
A concessão terá validade de 20 anos, com possibilidade de renovação, e permitirá à Akau utilizar o espaço para instalação de sua sede e desenvolvimento de atividades ligadas ao automobilismo. A efetiva retomada do kartódromo dependerá da conclusão dos procedimentos contratuais e da execução do projeto de revitalização.